Crédito: Tabajara Moreno - o cultivo das hortaliças não convencionais mais adaptáveis ao clima amazônico favorece a economia e a floresta.
“Adotar políticas de desenvolvimento econômico na Amazônia baseadas na preservação da floresta é uma medida que deve começar pelo resgate das tradições dos povos da região”. A defesa é do pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT), Carlos Bueno, que propõe o cultivo de espécies como cubiu, ariá, feijão macuco e feijão de asa, as taiobas e os espinafres como alternativa as hortaliças tradicionais usadas na alimentação regional.
Em palestra realizada nesta quarta-feira (22) para estudantes da Escola Estadual Presidente Castelo Branco, localizada na Travessa Anderson de Menezes, São Jorge, zona oeste de Manaus (AM), Bueno destacou que, por estarem mais adaptadas ao clima da região, as hortaliças podem ser cultivadas sem ocasionar alterações no meio ambiente.
A atividade fez parte da programação do Inpa para a 6ª edição da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT).
Um dos exemplos dado por Bueno é o ariá, uma planta regional geralmente usada em ornamentações, mas que produz até dois quilos de batatas, com composição nutricional semelhante à batata portuguesa, mas com maior conteúdo de aminoácidos essenciais. O cultivo da espécie pode ser feito sem desmatar, pois a planta cresce em áreas de sombra.
“A vantagem do ariá e dessas outras hortaliças alternativas é que elas são adaptadas às condições climáticas da nossa região. Elas crescem sem fertilizantes em solos ácidos e com baixa fertilidade, como é o caso da maioria dos solos amazônicos”, disse Bueno.
Desenvolvimento sem desmatamento
Além disso, outra característica das espécies é que elas podem ser plantadas juntamente com as árvores frutíferas. “As hortaliças alternativas podem ser cultivadas em um regime de consórcio com as árvores, que reduz o desmatamento para a agricultura aproveitando os espaços já explorados, o que é extremamente importante para desenvolver a economia da região sem ter que derrubar mais árvores”, explicou Bueno.
De acordo com ele, o estudo dessas espécies de hortaliças também envolve a valorização do conhecimento tradicional dos povos da região. “As populações tradicionais amazônicas têm usado cada vez menos essas hortaliças não convencionais. Isso é uma erosão genética e cultural inestimável que precisa ser interrompida”, disse.