Estimativas de um estudo realizado por pesquisadores do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) apontam que a floresta amazônica absorve anualmente da atmosfera algo entre meia e uma tonelada de carbono (CO²) por hectare de mata.
Essa característica natural é responsável pela redução desse gás de efeito estufa na atmosfera em escala global e pode ser um dos serviços ambientais usados pelo Brasil na negociação internacional do mercado de carbono. “Se multiplicarmos essa absorção de CO² pelo tamanho da Amazônia, chegaremos a um volume imenso desse gás retirado da atmosfera, o que beneficia todo o planeta”, diz Luizão, pesquisador do Inpa.
A informação foi dada na sexta-feira (9) em palestra na Cúpula Amazônica de Governos Locais. O evento se realiza em Manaus (AM) desde quarta-feira (8) e tem como proposta inserir a Amazônia nas negociações internacionais sobe mudanças climáticas.
Absorção de carbono
Conforme o pesquisador, a floresta também está absorvendo parte do carbono presente na atmosfera há longos períodos. “Temos dados sólidos demonstrando que a floresta está crescendo e fixando o carbono que estava na atmosfera por um longo período. Essa limpeza é um serviço ambiental inestimável”, explica.
Segundo Luiz, além da absorção de CO², o ciclo hidrológico da Amazônia também atua como um centro de redistribuição de chuvas para as Américas Central e do Sul.
“Os jatos de ar, carregados de vapor de água, que entram do Oceano Atlântico para a Amazônia, quando chegam aqui são redistribuídos em forma de jatos baixos de ar cheios de vapor de água. Isso vai praticamente controlar a chuva na região central e na região Sul do Brasil, afetando mesmo o extremo da América do Sul, na área da Bacia do Prata”, informa o pesquisador.
Com isso, o cientista alerta para os riscos que interferências no ambiente regional podem acarretar para todo o planeta. “O regime de chuvas nessas regiões da América em grande parte depende do que está ocorrendo na Amazônia. Se ela for totalmente desmatada ou desmatada em grandes proporções, o regime de chuva pode se modificar nesses locais”.
A formação de chuva sobre a floresta, explica, ocorre devido a características peculiares da mata. “A floresta produz partículas biológicas e biogênicas, como grãos de pólen e fungos, que sobem da floresta para a atmosfera e ajudam na formação de nuvens”, disse Luiz.
O pesquisador contou que o LBA descobriu que a mata amazônica produz compostos orgânicos voláteis que geram chuvas rápidas.
“Esses compostos orgânicos, moléculas de carbono muito grandes saídas da floresta em forma de gases, cristalizam-se na atmosfera limpa da floresta gerando gotas de chuva. Portanto, a floresta auxilia mesmo na formação de nuvens e chuvas, um mecanismo muito eficiente e rápido”, relatou.