Foto:: Ruiter Braba - Pirarucu pescado em área de manejo no Amazonas.
As vantagens de conciliar conservação e exploração sustentável dos recursos naturais são atestadas pelo manejo da pesca do pirarucu, peixe principalmente apreciado no norte do Brasil por sua carne e importância comercial e que cresce até três metros, chegando a pesar 200 quilos.
Prova do benefício da exploração sustentável dessa espécie é a crescente adesão ao manejo por parte de pescadores que moram nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã e em cidades próximas a essas unidades de conservação, no interior do Amazonas.
Neste ano, eles já começaram a pesca manejada e parte dos peixes será vendida na 4ª Feira do Pirarucu Manejado, que se realiza em Tefé (AM) amanhã (10) e domingo (11). Serão comercializados 100 peixes, pescados na região do Pantaleão, área localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã. Nessa área, pescadores da Reserva e outros que moram nas cidades fizeram acordo para poderem pescar o pirarucu de acordo com as normas de manejo.
Um dos critérios para o manejo de pirarucu assessorado pela equipe do Programa de Pesca do Instituto Mamirauá é fornecer uma cota da produção total para que seja comercializada em mercados locais, como Maraã, Tefé e Alvarães. Na edição deste ano da Feira, o quilo da manta (filé do pirarucu) será vendido a R$ 7, preço menor do que aquele praticado hoje por quem vende pirarucu ilegal (em torno de R$ 8).
A realização da Feira é uma iniciativa do Programa de Manejo de Pesca do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM/MCT), que há 10 anos assessora os pescadores na pesca manejada dessa espécie. Esse trabalho começou em 1999, com a participação de 42 pescadores da Reserva Mamirauá.
Em 2008, já eram 926 pescadores das duas unidades de conservação e que outros que moram em cidades próximas às Reservas. O faturamento bruto da comercialização também aumentou em função da maior adesão dos pescadores: em 2008 foram arrecadados cerca de R$ 1 milhão, enquanto em 1999 conseguiram R$ 17 mil com a venda do peixe.
O recurso gerado com a venda do pirarucu manejado é dos pescadores, que decidem entre si a forma de divisão do dinheiro. Os resultados desse trabalho são positivos não apenas para os pescadores, mas também para a espécie: por exemplo, até 2006 a população de pirarucus já tinha aumentado em cerca de oito vezes na área do Jarauá, que integra o manejo desde 1999.
A partir da década de 70, em função da pesca descontrolada, a população de pirarucus entrou em declínio em todo o Amazonas, inclusive nas Reservas Mamirauá e Amanã. Em função desse problema, a pesca e comercialização desse peixe são proibidas por lei. A exceção é para os peixes capturados em áreas de manejo ou provenientes em área de cultivo. Só nessas situações, a captura e venda do peixe são autorizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).