Crédito: Ana Catarina Jakovac - área conhecida como Capoeiras onde produz espécies nativas em áreas rurais
A bióloga Ana Catarina Jakovac, bolsista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT), embarca nesta sexta-feira (21) para a cidade de Nairóbi, no Quênia, onde vai representar o Instituto no II Congresso Mundial de Agroflorestas, que acontece naquele país entre os dias 23 e 26 de agosto.
Jakovac vai como representante do Projeto Pioneiras, do Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (PDBFF) do Inpa, que desenvolveu trabalho de pesquisa de enriquecimento de áreas conhecidas como “capoeiras” com espécies nativas em áreas rurais.
As capoeiras são formadas após o abandono de áreas utilizadas para roçados ou pastagens, e são deixadas à margem do processo produtivo da propriedade, muitas vezes em condições de elevada degradação.
A pesquisa, que conta ainda com a participação do agrônomo Tony Vizcarra Bentos e orientação da pesquisadora Rita Mesquita, ambos também do PDBFF, comprovou que tais áreas podem ser recuperadas a partir do plantio de pelo menos oito espécie diferentes de mudas de árvores em condições específicas de luz no local.
Descobertas
“A pesquisa constatou a necessidade da abertura de espaços entre as copas das árvores já existentes na capoeira para facilitar a entrada de luz e, assim, permitir melhor crescimento das mudas. Tais condições ajudam no processo de recuperação da terra”, explica a bióloga, lembrando que também foram realizadas ações de acompanhamento e desenvolvimento das mudas.
As espécies usadas no processo de enriquecimento das capoeiras são bacaba, andiroba, mogno, cumaru, castanha, pau-rosa, jatobá, copaíba e cacau – todas nativas da região e com elevados fatores comerciais. “Além de enriquecer as áreas de capoeira dos agricultores, as espécies usadas no projeto ainda podem ajudar na renda das famílias”, conta.
O pau-rosa, o cumaru, a andiroba e a copaíba podem produzir óleos de notável valor comercial, enquanto o mogno e o jatobá são úteis na produção de móveis em estilo rústico. Já o cacau, a bacaba e a castanha podem ser beneficiados para produção de polpas e derivados.
“O projeto teve também um componente importante, que foi o de capacitação. Foram oferecidos a pequenos agricultores cursos de curta duração em meliponicultura, sistemas agroflorestais e piscicultura”, relata a cientista.
Pesquisa premiada
O trabalho de pesquisa do Projeto Pioneiras foi premiado este ano no VII Congresso Brasileiro de Sistemas Agroflorestais (CBSAF), que aconteceu em junho, na cidade de Luziânia (GO). Na ocasião, participavam 226 trabalhos de todo o Brasil e a premiação da pesquisa do Inpa rendeu as passagens e a inscrição no congresso africano.
Mais informações a respeito do Projeto Pioneiras, podem ser obtidas no blog criado pelos pesquisadores.