Divulgação Ascom/Finep - O projeto prevê a produção de etanol de segunda geração a partir da palha e bagaço da cana
03/08/2009 - 17:02
Obter um combustível com menor impacto ambiental, usando matéria-prima barata e agregando maior produtividade por área cultivada. Estes são os objetivos do projeto Lignoetanol, que também vai auxiliar na redução da queima da palha da cana-de-açúcar e dos problemas gerados por esta prática.
O projeto é coordenado por uma empresa brasileira em parceria com instituições de pesquisa da Espanha e de Portugal e apoiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT). O projeto recebeu R$ 1 milhão do Programa de Subvenção Econômica, além do aporte anterior de R$ 160 mil em recursos dos Fundos Setoriais de Ciência e Tecnologia CT-Petro e CT-Agro.
A Finep também foi responsável por facilitar a cooperação internacional, por meio do Programa Iberoeka. "O programa ajudou na aproximação com os centros de pesquisa ibéricos, além de aportar auxílio financeiro para a realização das reuniões de trabalho com os parceiros estrangeiros", conta Sílvio Vaz, coordenador do projeto pela empresa brasileira Hidrolisis. Ele considera ainda uma "vantagem de mercado" ter sido selecionado pelo programa de Subvenção. Segundo ele, a empresa espera que com este apoio possa colocar sua tecnologia à disposição do setor bioenergético em um menor espaço de tempo.
Apesar da previsão de comercialização apenas em 2012, o projeto já rendeu frutos. O Lignoetanol deu à Hidrolisis o Prêmio Abiquim 2008 na categoria empresa nascente, concedido pela Associação Brasileira da Indústria Química. A Hidrolisis, com sede em São Carlos (SP), será responsável pelas ações de caráter industrial referentes ao desenvolvimento e aplicação da tecnologia desenvolvida. Os parceiros de pesquisa são o Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (Ineti) e Instituto Superior de Agronomia/Universidade Técnica de Lisboa (ISA/UTL), de Portugal, e o Centro de Investigaciones Energéticas, Medioambientales y Tecnológicas (Ciemat), da Espanha.
Ainda não existe no mercado um processo industrial economicamente viável para a produção do etanol ligninocelulósico, ou seja, de segunda geração, que é o etanol obtido a partir da biomassa vegetal, como a palha e o bagaço da cana. "Um dos maiores gargalos é o preço das enzimas utilizadas como catalisadores, já que as disponíveis são importadas ou produzidas por multinacionais, além da dificuldade de obtenção de bons rendimentos do etanol a um baixo custo de produção", explica Sílvio. Apesar de quimicamente toda biomassa vegetal poder ser utilizada para a produção do etanol, deve-se considerar sua viabilidade técnica e econômica, o que acaba limitando o número de matérias-primas comercialmente viáveis.
O projeto Lignoetanol pretende desenvolver uma forma de aproveitar em especial a palha residual do processo de colheita. A produtividade deverá ser significantemente aumentada sem a necessidade de expansão da área de cultivo ou conflito entre plantações alimentares e energéticas, além de se evitarem problemas ambientais e de saúde pública decorrentes da queima da palha.
Está prevista também a certificação do etanol ligninocelulósico obtido, segundo os parâmetros analíticos do Brasil, dos Estados Unidos e da União Européia, e ainda estudos de viabilidade técnico-econômica nacional e internacional.