Foto:Ana Paula Andreolla - O secretário executivo do MCT, An~tonio Elias, e o presidente do CNPq na videoconferência.
O Brasil se prepara para ser destaque na Conferência Mundial de Ciência, que se realiza em novembro próximo, em Budapeste (Hungria). O País quer que o avanço conquistado na ciência e tecnologia nos últimos 10 anos seja o destaque principal do encontro. Além disso, a Ciência, a Tecnologia e a Inovação como instrumentos fundamentais para a sustentabilidade do planeta e para o processo de inclusão social também fazem parte da pauta de discussão.
Para organizar a participação do Brasil no evento representantes do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e do Conselho Nacional Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT) prepararam um documento que servirá de prévia para discussões no Fórum Regional de Buenos Aires (Argentina), marcado para agosto próximo.
A versão final do documento começou a ser analisada ontem (17) e deve ser concluida hoje (18), no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF/MCT), no Rio de Janeiro, pela Comissão Redatora – instituída no Fórum Regional, realizado no México, em março último - e composta por representantes do Brasil, México, Argentina, Cuba e Guatemala. Representam o Brasil, a vice-presidente do CNPq, Wrana Panizzi, e o membro do Conselho Deliberativo do CNPq, Luis Davidovich.
A produção do documento recebeu também a contribuição da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da Academia Brasileira de Ciências (ABC). De acordo com o secretário-executivo do MCT, Luiz Antonio Rodrigues Elias, que fez a abertura da reunião, o Fórum,
em Buenos Aires, será uma oportunidade de o Brasil se preparar para a Conferência, em novembro. “Precisamos ter uma posição política de destaque na Conferência Mundial. E o Fórum será o momento de nos prepararmos para a apresentação
em Budapeste. Ainda não temos certeza qual será nossa posição. E, é isso que esperamos da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura)”, disse.
Documento
A Declaração Regional da América Latina e Caribe, que será alvo de discussões pela Comissão Redatora, reunida no Rio de Janeiro, apresenta uma análise dos pontos positivos e negativos a respeito da ciência e tecnologia mundial. Entre os pontos de destaque está o reconhecimento político mais amplo do papel da ciência, tecnologia e inovação (CT&I) para o processo de desenvolvimento sócio-econômico, aumento dos investimentos em CT&I, valorização e qualificação da educação superior e da educação para a ciência e, também, a busca pela articulação da política de CT&I.
O documento ainda apresenta a situação do desenvolvimento científico e tecnológico na América Latina e Caribe na última década. Os pontos positivos apresentados são: criação do MCT, de secretarias estaduais de Ciência e Tecnologia e Inovação e de fundações de Amparo à Pesquisa (Faps), além do crescimento do número de pesquisadores e da produção científica.
De forma negativa, a Declaração Regional aponta os investimentos nacionais nas atividades de pesquisa e desenvolvimento, que ainda são insuficientes, tento em vista, o anseio dos países da América Latina e Caribe em caminhar para uma sociedade baseada no conhecimento técnico-científico.
Por final, a proposta sugere a criação de laboratórios latino-americanos para áreas específicas, que sirvam como plataforma de pesquisa e centros de treinamento, redes e institutos virtuais e continentais dedicados à pesquisa sobre temas de interesse regional, com caráter multilateral e, ainda, o estabelecimento de fundos de fomento da CT&I em âmbito regional.