Luiz Barreto também destacou o aumento no número de projetos de MDL no Brasil
A valorização da biodiversidade da Amazônia, como alternativa para redução do desmatamento, somada a ampliação do mercado mundial aos biocombustíveis podem contribuir de forma significativa para diminuir a emissão de CO². O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa (Seped) do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Luiz Antonio Barreto de Castro, participou da audiência pública realizada na Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas, ontem (16), no Senado, em Brasília (DF), e defendeu as medidas como alternativa para redução dos chamados gases do efeito estufa.
Barreto também destacou a necessidade de avanços na produção de pesquisas. “Nenhum país tem uma geografia como a do Brasil, que possibilita fazer estudos climáticos da linha do Equador até praticamente o Pólo Sul. Então, quando se ouve falar que é preciso trabalhar e pesquisar a adaptação de variedades de plantas em função do aumento do CO², apenas o Brasil pode fazer isso. Temos esse privilégio, mas precisamos pensar em grandes projetos mundiais, o que custa caro e depende de decisão”, disse. O secretário participou do debate Mudanças Climáticas e Economia, que também teve a presença de representantes dos ministérios da Fazenda (MF) e do Desenvolvimento Indústria e Comércio (Mdic).
Barreto destacou a evolução do País, que já responde por 2% da produção científica mundial. No entanto, segundo ele, a grande dificuldade está em levar essa ciência de forma competitiva aos mercados internacionais. Ele citou os avanços na área de biocombustíveis, que permitem ao Brasil ser o único País capaz de elevar a produção sem comprometer o cultivo de alimentos ou a Amazônia, e o papel da região nas discussões sobre o aquecimento global.
Para ele, é preciso ampliar os investimentos em pesquisas e, principalmente, buscar alternativas para agregar valor à floresta. “O desmatamento sofre influência de vários fatores, especialmente econômico. Para resolvermos isso temos que agregar valor à biodiversidade”, disse. Barreto acrescentou que o mercado da biodiversidade mundial deve movimentar, em 2025, mais de 225 bilhões de libras apenas com o comércio de plantas e de substâncias usadas em fármacos, cosméticos e outros produtos. “Não aproveitamos adequadamente este mercado. 50% das drogas em fase de teste no mundo têm como base recursos naturais e nenhum está relacionado à biodiversidade brasileira. Estamos fora desse setor, que permitiria agregar valor a biodiversidade amazônica e reverter o processo de deflorestamento”, disse. E é justamente o desmatamento da floresta, destaca o secretário, que coloca o Brasil entre as nações com maiores índices de emissão de gases do efeito estuda.
Bioetanol
O secretário também ressaltou o papel dos biocombustíveis para a diminuição das emissões de CO². “Se quisermos reduzir em 10% o uso de combustíveis fósseis temos que dobrar a produção de bioetanol”, disse. O atendimento, apenas desta demanda, avalia Barreto, equivale a um mercado US$ 100 bilhões. “Não há nenhum candidato melhor para substituir o combustível fóssil do que o bioetanol. De acordo com publicações científicas, 47% das emissões de CO² são causadas por essas fontes de energia e o Brasil pode desempenhar um papel preponderante na mudança da matriz energética do mundo”, disse.
O secretário lembrou que o País tem feito um esforço para o desenvolvimento de biocombustíveis de segunda geração, em especial, na implantação do Centro de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE/MCT), instalado em Campinas (SP).
MDL
Barreto também destacou o aumento no número de projetos de redução de emissões ou Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que permite a certificação de projetos de redução de emissões nos países em desenvolvimento e a venda desses créditos para nações desenvolvidas, como alternativa para o cumprimento de suas metas. De acordo com o último relatório do Conselho Executivo do MDL, o Brasil ocupa o 3º lugar em número de atividades de projeto, com 346 projetos (8%), sendo que em primeiro lugar encontra-se a China com 1571 e, em segundo, a Índia com 1199 projetos.