O sistema Deter (Detecção do Desmatamento
em Tempo Real ), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), registrou nos meses de fevereiro, março e abril de 2009, respectivamente, 143 km2, 17 km2 e 37 km2 de desmatamentos por corte raso ou degradação progressiva na Amazônia Legal, totalizando 197 km2.
Os números deste trimestre são relativamente baixos por causa da alta cobertura de nuvens no período. Em fevereiro, as nuvens chegaram a cobrir 80% da região. Em março, 88% da Amazônia Legal estiveram encobertas e em abril, 73%. Como a densa cobertura de nuvens reduziu muito a capacidade de observação por satélites, não é possível afirmar que estes números representem uma redução no desmatamento em relação ao mesmo período de 2008.
No trimestre, Mato Grosso foi o estado com mais áreas desmatadas: 111 km2 do total de 197 km2.
Entre novembro e abril, meses em que a intensidade de nuvens na região amazônica prejudica a observação por satélites, o Inpe publica os dados apurados pelo Deter a cada trimestre. A partir de maio, a divulgação dos dados volta a ser mensal.
Os mapas que indicam as áreas com nuvens, gráficos e tabelas com os números do desmatamento registrados pelo sistema em cada estado e em cada mês estão disponíveis no site do Deter: www.obt.inpe.br/deter .
A avaliação deste trimestre mostrou que 59% dos alertas foram confirmados como desmatamento do tipo corte raso e 40% como degradação progressiva; apenas 1% não apresentou indícios de desmatamento.
Mapeamento
O desmatamento não é um evento, mas um processo. A conversão de floresta primária até o estágio de corte raso pode levar de alguns meses até vários anos para ser concluída. Os dados do Deter podem incluir áreas cortadas em períodos anteriores ao do mês de mapeamento ou em processo de desmatamento progressivo, mas cuja detecção não havia sido antes possível por limitações de cobertura de nuvens. Também é preciso distinguir entre o tempo de ocorrência e a oportunidade de detecção do desmatamento, que é quando a fração de exposição de solo permite a sua interpretação e mapeamento.
Como sistema de alerta, o Deter mapeia tanto áreas de corte raso, quando os satélites detectam a completa retirada da floresta nativa, quanto áreas em processo de desmatamento por degradação florestal. Os dados são organizados por município, estado, base operativa do Ibama e unidades de conservação, para facilitar e agilizar as operações de fiscalização.
Satélites
Em operação desde 2004, o Deter detecta apenas polígonos de desmatamento com área maior que 25 hectares por conta da resolução dos sensores espaciais (o Deter utiliza dados do sensor Modis do satélite Terra e do sensor WFI do satélite sino-brasileiro CBERS, com resolução espacial de 250 metros). Devido à cobertura de nuvens, nem todos os desmatamentos maiores que 25 hectares são identificados pelo sistema.
Contudo, a menor resolução dos sensores usados pelo Deter é compensada pela capacidade de observação diária, que torna o sistema uma ferramenta ideal para informar rapidamente aos órgãos de fiscalização sobre novos desmatamentos. Todos os dados do Deter são públicos e podem ser consultados no site www.obt.inpe.br/deter/