Comemora-se nesta quarta feira (15) o Dia Nacional da Conservação do Solo, data instituída pela Lei n° 7.786, de 13 de novembro de 1989, com o objetivo de alertar e conscientizar as pessoas sobre a utilização correta dos recursos naturais. Componente fundamental dos ecossistemas, o solo é um recurso natural básico e o seu uso indevido causa grandes prejuízos à sociedade.
Agricultura predatória, tecnologias inadequadas, uso intensivo de produtos químicos e queimadas são algumas das principais formas de agressão citadas pelos pesquisadores das ciências naturais. Eles apontam ainda o desmatamento, como a principal causa da desertificação, um dos muitos processos de degradação da terra.
A desertificação, que ocorre nas zonas áridas, semiáridas e sub-úmidas secas, é o processo de destruição do potencial produtivo. A mineração, as atividades agropecuárias e irrigação mal planejada também desencadeiam o problema, como mostram os estudos de muitas instituições.
No Brasil, as Áreas Susceptíveis a Desertificação (ASD) abrangem 1.201 municípios, uma superfície de 1.130.790,53 km², dos quais 710.437,30 km² (62,8%) são caracterizados como semiáridos e 420.258,80 km² (37,2%) sub-úmidos secos.
As ASD fazem parte dos estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba Pernambuco, Alagoas, Sergipe e norte de Minas Gerais, abrangendo uma população de cerca de 32 milhões de habitantes e totalizam 1.338.076 km² (15,72% do território nacional). Elas atingem ainda os biomas cerrado e caatinga, que é exclusivamente brasileiro.
De acordo com Roberto Germano Costa, diretor do Instituto Nacional do Semi-árido (Insa/MCT), a retirada da cobertura vegetal da caatinga, que é o bioma mais vulnerável a essas mudanças climáticas, em alguns bolsões, como o de Seridó, na Paraíba, e o de Gilboés, no Piauí, faz com que as áreas de desertificação se ampliem. Além disso, a chamada mata branca vem sendo utilizada como matriz energética para setores da indústria como o de panificação e de cerâmica vermelha.
Germano explica que a Comissão Nacional de Combate a Desertificação, instaurada no final de 2008, em Fortaleza (CE) pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, gerou expectativa em relação a prevenção do fenômeno ambiental.
"A comissão, da qual o Insa é integrante, tem a finalidade de estabelecer subsídios para a política de combate a desertificação. A partir do momento que o Ministério do Meio Ambiente estiver com essa política formada e com os esforços focados no sentido de criar um Fundo Nacional de Combate a Desertificação, esperamos, com a capacidade instalada, termos em toda região, em todas as universidades federais, estaduais, nas empresas brasileiras de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e nas empresas estaduais de pesquisas, intensificadas as linhas de estudos nessa área", diz Germano
O diretor do Insa acredita que Fundo Nacional de Combate a Desertificação e a política de prevenção, que será estabelecida pelo Meio Ambiente, são algumas das ações que podem ser tomadas a curto prazo para conter o avanço do processo de desertificação das regiões já atingidas. Uma outra medida é a recomposição da cobertura vegetal em algumas das áreas .
Para Germano, é importante comemorar o Dia Nacional da Conservação do Solo, porque a sociedade está cada vez esta mais esclarecida sobre os reais riscos da não preservação do meio ambiente. "O solo é o nosso suporte. Temos mostrando claramente a necessidade de se preservar todos os nossos recursos naturais nesse momento, em que as mudanças climáticas e o processo de aquecimento global está na pauta de todas as instituições de pesquisa e ambientais e a sociedade sendo alertada e tomando consciência da importância de preservar o meio ambiente", enfatiza.