Estudar todos os níveis de atuações relacionadas à infecção pelo Papilomavírus humano e outras enfermidades associadas e o foco central do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do HPV (INCT-HPV), lançado no final de 2008 pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT).
A entidade é coordenada pela diretora do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer (ILPC), Luisa Lina Villa. A rede de pesquisa pretende constituir um centro de excelência de referência nacional para descobrir drogas que auxiliam no tratamento das enfermidades. "Estabelecer diretrizes e políticas públicas de saúde no País para rastrear o câncer de colo de útero é um foco essencial do INCT-HPV", aponta Luisa.
Infecções por tipos de alto risco do Papilomavírus Humano é a principal causa de câncer cervical - uma das doenças que mais mata mulheres em todo o mundo. O vírus infecta a pele e as mucosas anogenital e laringofaríngea, causando lesões neoplásicas malignas e benignas provocadas por um crescimento celular descontrolado. Calcula-se que pelo menos 50% das pessoas sexualmente ativas estão infectados com pelo menos um tipo de HPV - a doença sexualmente transmissível mais comum da atualidade. Apesar da capacidade de infectar tanto os homens quanto as mulheres, os tumores causados pelo vírus são mais frequentes no sexo feminino.
O instituto compartilha tarefas e executa projetos pioneiros que têm relevância estratégica para o País. "Queremos criar condições de estudos pré-clínicos nas instituições que participam do programa e estabelecer modelos experimentais factíveis por infecção pelo Papilomavírus Humano", diz a cientista que é professora e pesquisadora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
De acordo com Luisa, a rede de estudo tem a missão de induzir, fomentar e gerenciar profissionais da área com o intuito de gerar terapias alternativas provenientes da biodiversidade nacional, que serão testadas clinicamente em modelos animais. A finalidade é possibilitar o desenvolvimento tecnológico e determinar estratégias de prevenção para o uso de vacinas.
Convênios
Outra meta do INCT-HPV é confeccionar e implementar pesquisas clínicas para possíveis drogas e testes diagnósticos. O instituto, que pretende estabelecer convênios acadêmico-empresariais para interagir com o sistema produtivo e com a sociedade, planeja promover atividades de campo nas escolas. "Almejamos manter um bom relacionamento com as empresas que geram produtos para o desenvolvimento de patentes e drogas comercializáveis no país e no exterior", diz Luisa.
Segundo ela, devido ao progresso da ciência no aperfeiçoamento do sequenciamento genômico, mais de 100 tipos de Papilomavírus Humano foram identificados. Cerca de 40 infectam a área anogenital, dos quais 15 são considerados de alto risco pelo grande potencial oncogênico deles – capaz de causar tumores malignos. O principal tipo de HPV é o 16, encontrado em mais de 50% dos casos de câncer de colo de útero.
Formada em Ciências Biológicas, com doutorado em Bioquímica e pós-doutorado em Biologia Molecular pela Universidade de São Paulo (USP), Luisa destaca a importância de atrair e estimular jovens pesquisadores, do ensino médio à pós-graduação. "Implantar novos cursos e disciplinas, promover treinamento tecnológico de alto nível e firmar metodologias laboratoriais inovadoras são iniciativas fundamentais para a conquista de um avanço científico substancial".
O cenário da ciência e da tecnologia no Brasil vive um momento especial, devido à aplicação transparente e dinâmica de políticas de fomento, na opinião de Luisa. "A tendência de gerar projetos multicêntricos que reúnem os melhores cientistas e instituições do País amplia a utilização dos recursos do setor", ressalta. A participação ativa da comunidade científica na avaliação dos resultados de diferentes programas foi outro aspecto evidenciado pela coordenadora.
Com informação da Ascom da ABC