Os trabalhos de reabilitação e criação em cativeiro de peixes-bois da Amazônia realizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) têm gerado bons resultados. Prova disso é a reintrodução desses animais na natureza, uma atividade iniciada no ano passado, e que ocorrerá novamente este ano. Amanhã (4), mais dois animais, Xibó e Mapixari, serão devolvidos ao seu habitat natural.
Segundo os pesquisadores do Inpa, Xibó e Mapixari estão no Instituto desde 1999 e 2000, respectivamente. Eles serão levados até a Reserva do Cuieiras, localizada a 60 km ao norte de Manaus, por uma equipe de técnicos e pesquisadores do Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA/Inpa), da Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa) e do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ).
Monitoramento
A pesquisadora e chefe do LMA/Inpa, Vera Silva, garante que os animais serão monitorados em tempo integral. Uma equipe permanecerá na reserva para fazer o acompanhamento dos animais. "Os peixes-bois serão monitorados via radiotelemetria. A técnica consiste na instalação de um rádio-colar com um transmissor no pendúculo caudal do animal, o qual enviará sinais de VHF para o receptor que estará com os pesquisadores, possibilitando assim, a sua localização e acompanhamento".
Vera Silva explicou que a equipe também medirá a velocidade de deslocamento e a profundidade de mergulho dos animais. "Em colaboração com pesquisadores da Universidade de Tóquio (Japão), vamos instalar nos animais um aparelho (data logger) que medirá a velocidade de deslocamento, profundidade de mergulho, ângulo do corpo durante o deslocamento e a trajetória dos animais. Esperamos que essas informações melhorem nosso conhecimento sobre esses fascinantes animais", ressaltou.
Riscos
A pesquisadora informou que os peixes-bois naturalmente já correm riscos, principalmente no que se refere à caça ilegal. Mas se tratando de um animal de cativeiro, esse risco é exponencialmente maior. "Em cativeiro o animal perde parte do comportamento natural arredio em relação ao ser humano. Outro fator de risco é à habilidade em encontrar alimento. O monitoramento em tempo integral durante um longo período após a soltura visa, entre outras coisas, minimizar esses riscos e registrar todas as informações de comportamento que irão basear futuras ações".
Silva defende que a continuidade desse projeto vai depender das informações e resultados destas primeiras experiências. "Ainda é cedo para definirmos um número de animais a serem reintroduzidos, mas o ideal seria devolver à natureza todos os animais reabilitados e saudáveis do plantel do Inpa", explicou.
Seleção para soltura
O veterinário do Instituto, Anselmo D´Affonsêca, informou que os dois animais selecionados chegaram ao Inpa ainda filhotes, saudáveis e já bem desenvolvidos, com idades estimadas entre 6 e 8 meses, respectivamente. "Nesta fase, eles não aceitam bem o aleitamento artificial, então passaram a ser alimentados exclusivamente com vegetais, o que os tornou naturalmente mais ariscos do que aqueles que recebem mamadeiras por tempo prolongado. Esta foi uma das características para elegermos esses dois indivíduos para a soltura".
D´Affonsêca também informou que Xibó e Mapixari são machos subadultos, "estão muito bem de saúde e têm 9 e 10 anos de idade, respectivamente".