Termina à meia noite de sábado (14) a 38ª edição do Horário de Verão, quando os moradores dos estados das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul têm que atrasar os relógios em uma hora. A medida, que entrou em vigor em 19 de outubro de 2008, resultou em uma economia próxima de R$ 4 bilhões, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME). Isso, de acordo com o órgão, permite não haja aumento de tarifa para o consumidor e colabora com a preservação dos recursos naturais.
"Esse é o principal benefício, a economia de energia. Com uma hora a mais de sol, os aparelhos são ligados mais tarde”, explica o chefe do Serviço de Geração e Disseminação da Hora Legal do Observatório Nacional (ON/MCT), Mário Fittipaldi.
O ON é responsável pela divulgação da hora oficial do Brasil e os procedimentos para o ajuste da Central Informatizada de Hora Falada – aparelho que indica a hora no País – são simples. Conforme Fittipaldi, cada fuso horário tem um gerador de hora falada, basta apenas programar o equipamento para atrasar em uma hora. “Se alguma coisa sair errada, há outro gerador reserva”, explica.
Demanda
No Brasil, cerca de 123 milhões de habitantes nos estados do Sul, Sudeste e do Centro-Oeste se submetem ao horário de verão. Nessas regiões, a redução de demanda por energia elétrica no período de maior consumo ficou entre 4 e 5%.
Com essa medida é possível operar o sistema elétrico nacional com maior segurança e confiabilidade nas horas mais críticas. A adoção do horário de verão permite ainda a redução da necessidade de investimentos nos sistemas de geração e de transmissão de energia elétrica.
De acordo com dados preliminares do Operador Nacional do Sistema (ONS), a redução da demanda por energia elétrica no horário de pico, entre 18h e 20h, foi da ordem de 2.000 MW, sendo 1.500 MW nas regiões Sudeste e Centro-Oeste e 500 MW na região Sul.
Histórico
O horário de verão foi criado por Benjamin Franklin, em 1784, nos Estados Unidos, depois que ele percebeu que, durante alguns meses, o Sol nascia antes que as pessoas se levantassem. Fraklin imaginou que se as pessoas na época adiantassem seus relógios em uma hora, poderiam aproveitar melhor a luz do dia e economizar velas. Naquele tempo, não existia luz elétrica.
Em 1907, o construtor William Willett, membro da Sociedade Astronômica Real, resolveu fazer, sem sucesso, uma campanha na Inglaterra para colocar em prática o horário de verão. Foi só na Primeira Guerra Mundial, em 1916, que a Alemanha resolveu adotar a medida, pois era necessário economizar energia.
No Brasil, o horário de verão foi adotado pela primeira vez em 1931, no governo Getúlio Vargas, no período de 3 de outubro a 31 de março de 1932. Nos 35 anos seguintes, foi instituído em nove vezes. No governo de José Sarney, em 1985, a medida retornou e passou a ser uma constante na vida dos brasileiros. Em 2008, um decreto do MME fixou o início do horário no terceiro domingo de outubro e o encerramento no terceiro domingo de fevereiro do ano seguinte.