Após processo coordenado pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG/MCT) em parceria com a organização não-governamental Conservação Internacional (CI) no âmbito do projeto Biota Pará, o governo do Pará, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, oficializou em fevereiro de 2008 a lista de espécies da fauna e flora ameaçadas do estado.
A primeira lista vermelha da região amazônica identificou um total de 181 espécies ameaçadas, incluídas nas categorias criticamente em perigo (13 espécies), em perigo (47) e vulneráveis (121). Na ocasião da apresentação da Lista, o governo lançou também o Programa Extinção Zero, apontado como uma inovação na gestão ambiental.
Objetivando subsidiar o Extinção Zero, o Museu Goeldi, em nova parceria com a CI, promove até hoje (11), no Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, o seminário Espécies Ameaçadas e Áreas Críticas para a Biodiversidade no Estado do Pará. Será uma reunião de trabalho com o objetivo de analisar os dados reunidos e debater estratégias para a identificação de áreas críticas para a biodiversidade no estado.
Em 2008, pesquisadores do Goeldi fizeram um refinamento nas informações das espécies ameaçadas no Pará, geraram modelos de distribuição para as mais abundantes, procederam a uma análise de lacunas e, por fim, propuseram uma estratégia para definir áreas-chave para conservação da biodiversidade que deve ser discutida no encontro.
No evento, 35 especialistas de 18 instituições tentam avaliar as informações reunidas e responder questões específicas relativas aos grupos de Botânica, Invertebrados, Peixes, Répteis, Anfíbios, Aves, Mamíferos, e de Estratégias de Conservação.
No projeto de pesquisa Espécies Ameaçadas e Áreas Críticas para a Biodiversidade no Estado do Pará, coordenado por Teresa Cristina Avila-Pires, especialista em répteis do MPEG, foram gerados modelos de distribuição potencial para 32 espécies ameaçadas de extinção no Pará. Na modelagem, pontos de registros das espécies são relacionados a bases de dados ambientais e climáticos para gerar mapas que indicam sua probabilidade de ocorrência no ambiente estudado. Entre as espécies modeladas figuram plantas de alto valor econômico como o mogno (Swietenia macrophylla), e animais como a arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus) e o cuxiú-preto (Chiropotes satanas), ambos classificados como criticamente em perigo.
Ana Albernaz, ecóloga do Goeldi e vice-coordenadora do projeto, esclarece que uma das contribuições do seminário será na definição de possíveis áreas críticas para a biodiversidade, que poderá ser feita apenas a partir dos registros pontuais de ocorrência de cada espécie, ou utilizando os resultados de modelagem para as espécies mais abundantes
Com informações de Shamara Fragoso da Comunicação do PPBio