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Instituto utiliza terapia fotodinâmica no tratamento do câncer de pele
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Pesquisa auxilia no tratamento do câncer de pele
20/01/2009 - 10:56

A utilização da terapia fotodinâmica no tratamento do câncer de pele e de boca, em humanos e animais, e da leishmaniose. Este é o objetivo do trabalho desenvolvido pelos 37 pesquisadores de oito instituições públicas de ensino superior, que integram o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Nanobiotecnologia. A instituição tem sede na Universidade de Brasília (UnB) e é coordenada pelo biólogo Ricardo Bentes de Azevedo.

Esta técnica utiliza complexos construídos a partir do acoplamento de drogas ou biomoléculas a materiais nanoestruturados. O princípio da terapia fotodinâmica é o uso de drogas que são ativadas por luz de comprimento de onda específico. No geral, segundo Bentes, as células cancerígenas captam com maior avidez e metabolizam bem mais lentamente estas drogas comparadas a células normais.

"Obtem-se então um duplo específico, ou seja, após um determinado período apenas as células cancerígenas contém a droga, e desde que as mesmas só são ativadas com luz, a incidência desta apenas no local do tumor, faz com que só as células doentes sejam mortas", explicou o pesquisador.

A equipe de pesquisadores, que tem vários colaboradores no exterior, tem um prazo de três anos para concluir o seu trabalho. Neste tempo o governo federal, por meio dos ministérios da Ciência e Tecnologia (MCT) e da Saúde (MS) e suas entidades vinculadas, investirá quantia superior a R$ 7 milhões. "É a primeira vez que temos recursos suficientes para trabalhar tranquilamente. Temos um carro bom e adequado para competir em uma corrida séria", comemora Bentes.

 

Trabalho com animais

Ele informa que o trabalho, nesta fase inicial, é desenvolvido com animais de laboratório, mas que um grupo vem fazendo pesquisas com humanos, em colaboração com o Hospital Regional da Asa Norte (Hran), em Brasília, utilizando uma primeira geração dos fármacos com os quais pretendem trabalhar. De acordo com o professor, os resultados com animais são excelentes. Agora, diz Bentes, serão feitas pesquisas com animais de companhia (cães e gatos), em colaboração com o Hospital Veterinário da UnB.

"Para quem não sabe, gato, coelho, cachorro, hamster, todo animal tem possibilidade de desenvolver câncer e a incidência é alta. Principalmente hoje, que os animais estão vivendo mais tempo, têm uma expectativa de vida maior do que tinham há alguns anos. Como os seres humanos, eles também estão desenvolvendo, em um número mais elevado, o câncer de pele e o de boca", analisou.

Bentes acredita que a maioria dos cânceres de pele poderá ser tratada com essa terapia. Mas, segundo ele, não são todos. O melanoma é um exemplo. "Nós não temos bons resultados com melanoma para câncer de pele, porque a própria célula tumoral tem uma proteção contra a incidência de luz.

Outra grande vantagem da terapia fotodinâmica, na opinião do coordenador do Instituto, é a ocorrência muito pequena de efeitos colaterais. "Temos estudos demonstrando que se injeto fármaco hoje em células normais, 24 horas depois não existe mais aquele fármaco. A célula conseguiu metabolizar e eliminar o fármaco, o que não ocorre com as células tumorais. As células tumorais levam mais tempo para eliminar essas drogas, o que é uma outra vantagem. Então, podemos injetar a droga hoje e aplicar o laser 24 horas depois, porque aí só as células tumorais estarão com o fármaco incorporado", diz Bentes.

Informa o pesquisador que nesse caso o único efeito colateral é uma ulceração no local. "Mas isso é bom. De qualquer maneira, causa um incômodo, uma dor, mas muito menor do que um processo cirúrgico, ou uma quimioterapia ou radioterapia", completa.

Tratamento da leishmaniose

Os pesquisadores também estão utilizando a terapia fotodinâmica no tratamento da leishmaniose. Em Brasília, a doença tem preocupado a população e o governo local. Levantamento feito pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal confirmou que quatro pessoas morreram em 2008 infectadas pela doença. Já a Vigilância Ambiental constatou que mais de mil cães também foram contaminados e que a metade foi sacrificada.

Bentes explicou que a leishmaniose se apresenta principalmente na pele, em animais, mas que pode se desenvolver em algumas vísceras (fígado e baço). Na leishmaniose cutânea, os pesquisadores tentarão utilizar a terapia fotodinâmica. Para a visceral será feita uma associação do fluido magnético com os fármacos já existentes para tratamento da doença.

"Não inventaremos nenhum outro fármaco. O que tentaremos é direcionar esses fármacos para os órgãos infectados, ao invés dele circular pelo organismo inteiro. Com isso, a intenção é diminuir não só a dose como o efeito colateral", explicou o biólogo.

Ele diz que os tratamentos para esse tipo de patologia são muito pesados, pois são diários, longos (em torno de seis meses) e com uma série de efeitos colaterais. Os pesquisadores tentarão fazer com que o tratamento ocorra com intervalos de pelo menos três dias, e que seja direcionado para o órgão de interesse (fígado ou baço). "Como essas nanopartículas são magnéticas, a intenção é levar para o abdômen um ímã externo. Com isso, diminuiremos o efeito colateral e a frequência da aplicação do fármaco", observou.

O professor Bentes explica que o tratamento da leishmaniose é um estudo que ainda está no início pela rede de pesquisa. "Vamos começar praticamente do zero. Ainda não temos uma expectativa, como temos para as outras patologias com as quais já trabalhamos. Mas, teoricamente, temos chances de conseguir bons resultados", afirma.

Pbmicose

Um outro objetivo do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Nanobiotecnologia é o tratamento de doenças consideradas negligenciadas pelo MS, como a Pbmicose, uma doença fungica que ataca principalmente o pulmão o, em geral de pessoas moradoras da zona rural. "É uma doença que existe praticamente nas américa Latina e Central. Não existe na América do Norte nem na Europa. É uma doença de pobres em países pobres", diz o professor.

O trabalho dos pesquisadores será descobrir onde está o fungo. Acredita-se que está na terra e, quando o trabalhador rural remexe o solo inala o fungo e desenvolve a doença. A abordagem, segundo Bentes, é acoplar drogas clássicas a complexos nanoestrututrados, que serão, neste caso, utilizados para o direcionamento específico dos fármacos para os pulmões, no intuito de diminuir a dose e, consequentemente, os efeitos colaterais das drogas.

Institutos Nacionais

O Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia conta, desde novembro passado, com 101institutos nacionais de ciência e tecnologia (INCT). O Programa, coordenado pelo MCT, terá recursos próximos de R$ 600 milhões, para os próximos cinco anos, e é operado em parceria com seis fundações estaduais de amparo à pesquisas, além dos ministérios da Saúde e da Educação, da Petrobrás e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Eles trabalham projetos em 19 áreas consideradas estratégicas pelo Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação (PACT&I – 2007-2010), como Biotecnologia, Nanotecnologia, Tecnologias da Informação e Comunicação, Saúde, Biocombustíveis, Energia Elétrica, Hidrogênio e Fontes Renováveis de Energia, Petróleo, Gás e Carvão Mineral, Agronegócio, Biodiversidade e Recursos Naturais, Amazônia, Semi-Árido, Mudanças Climáticas, Programa Espacial, Programa Nuclear, Defesa Nacional, Segurança Pública, Educação, Mar e Antártica e Inclusão Social.

O Programa dos INCTs tem metas abrangentes em termos nacionais como possibilidade de mobilizar e agregar, de forma articulada, os melhores grupos de pesquisa em áreas de fronteira da ciência e em áreas estratégicas para o desenvolvimento sustentável do País; impulsionar a pesquisa científica básica e fundamental competitiva internacionalmente; estimular o desenvolvimento de pesquisa científica e tecnológica de ponta associada a aplicações para promover a inovação e o espírito empreendedor, em estreita articulação com empresas inovadoras, nas áreas do Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec).

Além de promover o avanço da competência nacional nas devidas áreas de atuação, criando ambientes atraentes e estimulantes para alunos talentosos de diversos níveis, do ensino médio ao pós-graduado, o Programa também se responsabilizará diretamente pela formação de jovens pesquisadores e apoiará a instalação e o funcionamento de laboratórios em instituições de ensino e pesquisa e empresas, proporcionando a melhor distribuição nacional da pesquisa científico-tecnológica, e a qualificação do País em áreas prioritárias para o seu desenvolvimento regional e nacional.

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