Figura mostra a perda completa da vegetação por corte raso, com solo coberto por madeira (coordenadas do local: P6 - S 11,61º;W 54,91º)
Pela primeira vez, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT) mapeou as áreas em processo de desmatamento em toda a Amazônia Legal. Inovador, o novo sistema pode dar importante subsídio aos órgãos de fiscalização para impedir a derrubada completa da floresta.
Os dados preliminares do sistema Degrad foram apresentados em Brasília no 6º Seminário Técnico-Científico de Análise de Dados do Desmatamento na Amazônia Legal, promovido na quinta e sexta-feira (19) pelos ministérios da Ciência e Tecnologia, do Meio Ambiente e Casa Civil.
No final de novembro, o Inpe divulgou a taxa de desmatamento na Amazônia no período 2007-2008 computada pelo Prodes, sistema que há 20 anos mapeia o “corte raso”, ou seja, as áreas onde a cobertura florestal nativa foi totalmente retirada. Chamado de Degrad, o novo sistema foi desenvolvido para mapear anualmente, e em detalhe, as áreas em processo de desmatamento e que não são computadas pelo Prodes.
A partir de imagens dos satélites Landsat e Cbers, o objetivo do Degrad é identificar as áreas de degradação. Neste primeiro levantamento da degradação florestal na Amazônia para os anos de 2007 e 2008, o Inpe utilizou o mesmo conjunto de 85 imagens Landsat processadas para o Prodes. O restante do mapeamento deverá ser concluído no primeiro semestre de 2009.
O levantamento preliminar de áreas degradadas registrou 14.915 km2 em 2007 e 24.932 km2 em 2008. Confira na tabela abaixo as áreas degradadas (km2) por estado da Amazônia Legal.
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Estado
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2007
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2008
|
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Acre
Amazonas
Amapá
Maranhão
Mato Grosso
Pará
Rondônia
Roraima
Tocantins
Total
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89
180
-
1.814
8.744
3.466
367
118
137
14.915
|
27
65
-
3.978
12.534
7.708
477
77
66
24.932
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O Inpe calculou ainda que 1.845 km², cerca de 13% da área mapeada como degradação em 2007, foi convertida em corte raso em 2008 e, portanto, contabilizada pelo Prodes. A distribuição por estado desta área está na tabela que segue:
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Estado
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Degradação 2007 convertida para corte raso 2008
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Acre
Amazonas
Amapá
Maranhão
Mato Grosso
Pará
Rondônia
Roraima
Tocantins
Total
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9
9
-
152
920
612
95
37
11
1.845
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O Inpe publicou relatório detalhado dos dados aferidos por seus sistemas Prodes, Deter e Degrad nos anos 2007 e 2008. O relatório completo está disponível para download em https://www.obt.inpe.br/prodes/Relatorio_Prodes2008.pdf.
O Seminário
Desde 2003, representantes de instituições de pesquisa e de órgãos públicos, federais e estaduais, e da sociedade civil, reúnem-se para discutir e trocar experiências sobre a dinâmica do desmatamento, metodologias de monitoramento e alternativas viáveis de controle e prevenção.
O objetivo geral deste seminário é analisar os dados da estimativa de desmatamento em 2008, recentemente anunciados pelo Inpes, no âmbito do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia (Prodes) - www.obt.inpe.br/prodes.
Assim, o seminário pretende identificar os principais vetores do desmatamento, as tendências e os cenários para a região amazônica; discernir, quando possível, as áreas de corte legalmente autorizados dos ilegais; identificar novas frentes de desmatamento; definir as áreas críticas e prioritárias para a adoção de medidas emergenciais de combate ao desmatamento ilegal; e debater e identificar oportunidades para o aprimoramento das metodologias de avaliação do desmatamento na região.
Para o Inpe, esta edição do seminário ocorre num momento significativo. Após consecutivas quedas anuais no desmatamento, a partir do segundo semestre de 2007, o Deter começou a apontar tendência expressiva de aumento. Como resultado, o governo federal estabeleceu novos instrumentos preventivos e políticas voltadas a impedir a expansão do desmatamento.