O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT) iniciou os testes do modelo mecânico dos satélites Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers) 3 e 4, com lançamentos previstos para 2010 e 2013, respectivamente.
Realizados no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do Inpe, em São José dos Campos (SP), o objetivo é simular, com ensaios vibratórios e acústicos, as condições que atuam na estrutura do satélite na fase de lançamento.
O projeto, fabricação e testes da estrutura mecânica dos satélites é responsabilidade do Brasil, que divide igualmente com a China o desenvolvimento dos Cbers-3 e 4. Para essa etapa, o Inpe contratou o consórcio Cenic/Fibraforte (CFF), que segue projeto preliminar e requisitos estabelecidos pelo Instituto.
Os Cbers -3 e 4 representam uma evolução das versões anteriores (Cbers-1, 2 e 2B), este último lançado em setembro de 2007. Para as novas unidades serão utilizadas no módulo carga útil quatro câmeras (Câmera PanMux - Panmux, Câmera Multi Espectral - Muxcam, Imageador por Varredura de Média Resolução - IRSCam, e Câmera Imageadora de Amplo Campo de Visada - WFicam) com desempenhos geométricos e radiométricos melhorados. A órbita dos dois satélites será a mesma que das versão anteriores.
Programa
O Inpe é responsável no Brasil pelo Programa Cbers (sigla para China-Brazil Earth Resources Satellite). O acordo de cooperação espacial com a China, que em 2008 completou 20 anos, resultou na construção, lançamento e operação conjunta de três satélites de sensoriamento remoto, o último em 2007.
As unidades 1 e 2 são idênticas em sua constituição técnica, missão no espaço e em suas cargas úteis (equipamentos de bordo, como câmeras, sensores e computadores, entre outros equipamentos voltados para experimentos científicos). Os satélites foram dimensionados para atender às necessidades de China e Brasil, mas também para permitir aos países ingressar no mercado de imagens orbitais, até então dominado por nações desenvolvidas.
Em 2002, foi assinado um acordo para a continuação do programa, com a construção de mais dois satélites - os Cbers-3 e 4, com novas cargas úteis e uma nova divisão de investimentos de recursos entre o Brasil e a China - 50% para cada país (nos Cbers-1 e 2 a divisão foi de 70% para a China e 30% para o Brasil). Porém, em função do lançamento do Cbers-3 ser viável apenas para 2010, e diante de um possível final de vida útil do Cbers-2 ocorrer antes deste prazo - com grande prejuízo para ambos os países e para os diversos usuários do Cbers, o Brasil e a China, em 2004, decidiram construir o Cbers-2B e lançá-lo em 2007.
Com a política de dados gratuitos adotada pelo Inpe em 2004, o Programa fez do Brasil o maior distribuidor de imagens de satélite do mundo. Apenas pelo Brasil já foram distribuídas cerca de 450 mil imagens Cbers para cerca de 15 mil usuários de várias instituições públicas e privadas, comprovando os benefícios econômicos e sociais da oferta gratuita de dados.
As imagens também são fornecidas gratuitamente para países da América do Sul que estão na abrangência das antenas de recepção do Inpe em Cuiabá (MT). Na China, após a adoção de uma política similar, foram distribuídas mais de 200 mil imagens, sendo o Ministério da Terra e de Recursos Naturais seu principal usuário.
No final de 2007, Brasil e China decidiram oferecer gratuitamente as imagens para todo o continente africano. A distribuição das imagens contribuirá para que governos e organizações na África monitorem desastres naturais, desmatamento, ameaças à produção agrícola e riscos à saúde pública.