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Arqueólogos do Goeldi fazem escavações no Baixo Amazonas
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Localizado próximo de Santarém, o município paraense de Prainha possui rico patrimônio arqueológico ainda pouco conhecido pela população local e pelos especialistas
05/12/2008 - 08:45

Começaram as escavações no sítio arqueológico situado na comunidade do Pacoval, no município paraense de Prainha, no Baixo Amazonas. Coordenada pelas arqueólogas Edithe Pereira e Vera Guapindaia, do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG/MCT), a ação faz parte do projeto “Pacoval do Curuá: Arqueologia, educação e turismo no interior da Amazônia”, que pretende obter dados contextualizados sobre a ocupação pré-colonial dessa região, além de promover ações de incentivo à preservação do patrimônio arqueológico local.

Além de realizar a documentação arqueológica na área do 1° Distrito do Pacoval, o projeto tem o objetivo de promover, aliadas ao trabalho de pesquisa arqueológica, ações voltadas para educação patrimonial e para o turismo com vistas a conjugar a proteção do patrimônio arqueológico com o desenvolvimento sustentável das comunidades da região. As escavações no sítio encerram no dia 16 de dezembro.

Financiado pelo CNPq (MCT), o projeto “Pacoval do Curuá” tem o apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “A pesquisa começou no final do ano passado, quando foi realizado um levantamento inicial para identificação das condições do sítio e caracterização da comunidade”, explica Edithe, que é pesquisadora da Coordenação de Ciências Humanas do Museu Goeldi.

Com aproximadamente 170 metros de comprimento por 100 metros de largura, o sítio está localizado às margens do rio Curuá-Una. Composta por terra preta, a área apresenta material lítico e cerâmico. “Os vestígios cerâmicos analisados indicam possivelmente uma ocupação relacionada à Cultura Santarém”, afirma a arqueóloga.

Em julho desse ano foram realizadas prospecções geofísicas no Pacoval, sob a coordenação do professor José Gouvêa Luiz, do Departamento de Geofísica da Universidade Federal do Pará (UFPA). Já as atividades de educação patrimonial começaram em outubro, sob a coordenação da educadora Janice Lima, do Museu Goeldi. Em dezembro, a equipe de turismo, coordenada pelo professor Silvio Figueiredo, da Universidade Federal do Pará, dará continuidade as pesquisas já iniciadas na região. 

Segundo Edithe Pereira, o interesse em pesquisar essa região surgiu a partir de uma denúncia feita ao Iphan, de destruição de um sítio arqueológico situado sob a comunidade de Pacoval, em Prainha. “Sabemos que há vários sítios de arte rupestre e de terra preta nessa região e a nossa meta é expandir esse trabalho de mapeamento para além desse sítio,” informa a pesquisadora do Goeldi.

Geofísica

Segundo o professor José Gouvêa Luiz, a prospecção geofísica, aplicada aos estudos da Arqueologia, permite identificar locais onde estão enterrados vestígios (artefatos cerâmicos, artefatos de pedra, alicerce de construções, fornos, pisos) das civilizações passadas. “Desse modo, os arqueólogos podem realizar escavações para retirar e estudar esses vestígios”, explica.

Segundo Gouvêa, a prospecção geofísica realiza medições de campos físicos (magnético, gravitacional, elétrico) ou da propagação de ondas (por exemplo, ondas eletromagnéticas similares às ondas de radio). O objetivo dessas medições é de obter informações sobre materiais geológicos (minerais, petróleo, água subterrânea) e não-geológicos (tubos, artefatos cerâmicos, túneis) que estão enterrados abaixo da superfície terrestre. “As informações principais que podem ser obtidas são a localização desses materiais, a profundidade em que se encontram e a sua distribuição volumétrica. Com a geofísica, se investiga o interior da Terra”, afirma.

No Pacoval, foram realizadas medições do campo magnético terrestre (denominado Método Magnético) e da propagação de ondas eletromagnéticas de radar (denominado de Método do Radar de Penetração no Solo). “A correlação das medidas obtidas com os dois métodos permitiu identificar vários locais onde podem estar enterrados vestígios de antigos habitantes. Esses locais foram indicados para escavação, que será processada pela equipe de arqueólogos do Projeto”, explica.

Educação

Valorizar a cultura local e promover o conhecimento e a proteção do patrimônio arqueológico, através de práticas pedagógicas com os moradores da região, são as metas principais do projeto “Educação Contextualizada no Patrimônio Arqueológico de Pacoval – Prainha (PA)”. Coordenado pela educadora Janice Lima, do Museu Goeldi, o projeto pretende discutir temas como Arqueologia e Patrimônio Cultural com professores, donas de casa, estudantes e artesãos locais.

O projeto já atende 80 moradores que, em outubro desse ano, participaram do primeiro módulo dos cursos: Educação Patrimonial - construindo um mapa cultural; Educação patrimonial - o desenho e a pintura na formação artística e estética do artesão e do professor; Educação Patrimonial na Educação Formal; e Artesanato em Cerâmica. “A receptividade dos moradores de Pacoval, o interesse dos participantes e o espírito de cooperação da equipe foram imprescindíveis para que o trabalho transcorresse de forma tranqüila e a contento, nessa primeira etapa”, avalia.

Segundo Janice Lima, o projeto vem atuando em duas frentes: na formação continuada dos professores do distrito de Pacoval, para que eles possam inserir processos de educação patrimonial em suas aulas; e na formação de artesãos que, a partir do conhecimento desse patrimônio, poderão utilizá-lo como referência visual, histórica e identitária para a produção de diversas linhas de artefatos em cerâmica. “A metodologia utilizada é constituída de processos de percepção, análise e interpretação das expressões culturais e vestígios arqueológicos, baseadas em três eixos: métodos específicos de educação patrimonial, métodos de educação artístico-estética e métodos da pesquisa-ação”, explica Janice Lima.

Segundo a educadora, em Pacoval os vestígios arqueológicos são encontrados na superfície do solo, no meio da rua, nos quintais das casas e na beira do rio. “As relações estabelecidas pela população local com os vestígios arqueológicos ali encontrados vão desde a sua coleta para guardar e exibir aos turistas, até a sua venda ou troca por alimentos. Há ainda a prática de jogar no rio devido à crença de que esses artefatos atraem o espírito do seu antigo dono”, revela Janice. “Todas essas práticas, danosas ao patrimônio arqueológico, apontam para a necessidade de uma ação educativa sistematizada, capaz de mobilizar os moradores para conhecê-lo, usufruí-lo e protegê-lo”. 

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