Estava marcado para o início da tarde de hoje (27) a partida da cidade chilena de Punta Arenas dos sete pesquisadores brasileiros e um chileno para a Antártica, onde farão a primeira expedição científica do Brasil ao interior do continente.
A equipe leva mais de cem toneladas de equipamentos que serão transportadas por um avião russo modelo Ilyushin 76TD. Nos 25 anos anteriores, o País se limitou a realizar pesquisas e marcar presença na periferia do continente, onde montou a estação Comandante Ferraz, em 1984.
Dessa vez, uma equipe financiada com recursos federais, por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT), e liderada pelo glaciólogo Jefferson Simões, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), irá cerca de 2 mil quilômetros além, ao centro de um continente que se transformou em uma das últimas fronteiras da ciência. A expedição foi batizada de Deserto de Cristal.
Por 40 dias e sob sensações térmicas que alcançam -40ºC, Simões e sua equipe coletarão amostras de solos e rochas e farão perfurações na camada de gelo a fim de reconstituir a história da atmosfera nos últimos 500 anos. Entre outras coisas, o resultado desse trabalho contribuirá para os estudos sobre aquecimento global.
Comida pré-pronta
Ao chegarem, a primeira tarefa será erguer barracas na neve e organizar os equipamentos. Também levantarão um armazém de provimentos, prepararão motos de neve e montarão banheiros (todos os dejetos têm que ser trazidos na volta).
Nos primeiros dias, ainda poderão ser consumidos alimentos frescos, privilégio que acabará com o estoque de frutas e saladas que levam. Depois, só serão consumida refeição pré-pronta.