Os desafios tecnológicos e de inovação, que permitam uma melhor eficiência na produção de biocombustíveis, além da necessidade de uma maior disseminação das pesquisas, em nível mundial, foram os temas discutidos durante a IV Sessão Plenária, da 1ª Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, realizada hoje (19) pela manhã, em São Paulo (SP).
A concentração das pesquisas ligadas aos biocombustíveis, em apenas dois países, Brasil e Estados Unidos, que respondem por 75%, seria um dos entraves para a disseminação das inovações e novas tecnologias, principalmente para a África, segundo o presidente da Academia Africana de Ciências, Mohamed Hassan, do Sudão, um dos debatedores do evento. "Precisamos de um grande centro internacional de excelência em biocombustíveis", defendeu Hassan. Segundo ele, é preciso muito mais ciência e tecnologia para enfrentar, por exemplo, o problema de como produzir biocombustíveis em solos frágeis e áreas degradadas, como é o caso da África Subsaariana, e que suportem longos períodos de secas.
O professor e físico José Goldemberg, outro debatedor do painel, fez coro com Hassan, afirmando que "o problema é aprofundar a tecnologia e disseminar conhecimentos". Ele ressaltou que a produção de biocombustíveis é capaz de gerar até 60 vezes mais empregos do que seu equivalente em combustíveis fósseis.
Biomassa
Goldemberg observou que existe uma evolução contínua na produção do bioetanol no Brasil, cuja produtividade cresce 4% ao ano, há 30 anos. Ele lembrou ainda uma outra tecnologia, a da gaseificação de biomassa, que ele vê com enorme simpatia, "inclusive para produzir biodiesel, que anda meio esquecida."
Para John Melo, presidente da Amyris Biotechnologies, "a inovação cria o futuro", no qual ele não vê nada melhor do que a cana-de-açúcar nos trópicos. Ele também concorda que é preciso fazer produtos melhores. E criticou o que está acontecendo em seu país, os EUA, em relação ao etanol de milho, "um exemplo do que não pode dar certo", acrescentando que essa é uma indústria falida, ineficiente, que engoliu US$ 40 bilhões, em poucos anos.
Participaram da mesa de debates a diretora do grupo PSA Peugeot/Citröen, Thérèze Martini; a presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Lúcia Melo; o coordenador de Programa de Agricultura e Meio Ambiente do WWF-Brasil, Luís Fernando Laranja da Fonseca; a vice-presidente para a América Latina e Caribe do Banco Mundial, Pámela Cox, relatora do painel; a pesquisadora do Laboratório de Energias Renováveis dos EUA, Helena Chum e o presidente da Embrapa, Silvio Crestana, moderador do debate.
Informações da Assessoria de Comunicação da 1ª Conferência Internacional sobre Biocombustíveis