Parlamentares e cientistas debatem no II Simpósio Amazônia: o desafio do modelo de desenvolvimento
No 2º Simpósio Amazônia: o desafio do modelo de desenvolvimento, promovido pela Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional (Caindr), da Câmara dos Deputados, o presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT), Luis Manuel Rebelo Fernandes, ressaltou, ontem (5), que a região tem o maior patrimônio mundial em termos de biodiversidade e de potencial de pesquisa e de inovação.
"A ciência e a tecnologia integradas à inovação são a chave para o desenvolvimento da Amazônia, o que requer investimentos em pesquisas específicas e a formação de pesquisadores", disse Fernandes. Segundo ele, o Brasil responde por 2% da produção científica mundial, mas esse percentual poderia ser elevado, sobretudo do ponto de vista qualitativo, com o apoio maciço a projetos de inovação científica voltados para a Amazônia.
O presidente da agência informou que a Finep já destinou recursos para o reforço da infra-estrutura de pesquisa, em convênio com a Rede Nacional de Pesquisas (RNP/MCT) e os governos estaduais, no valor aproximado de R$ 28 milhões.
O 2º Simpósio começou ontem (5) e termina hoje (6). Além da participação do presidente da Finep, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) colocou à disposição do público que visita a Câmara dos Deputados seis painéis que explicam a atuação da pasta, como as ações do Plano Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (PAC,T&I 2007/2010), e das Unidades de Pesquisa na Amazônia. Os painéis estão instalados no corredor que dá acesso ao plenário da Casa.
Ciência na Amazônia
O evento é complemento do 1º Simpósio, organizado pela Caindr em 2007, e propõe o aprofundamento da abordagem dos modelos de desenvolvimento em Ciência e Tecnologia; Financiamento da Produção; Transportes; Saúde e Gestão Ambiental.
"A realização deste 2º Simpósio é mais uma oportunidade para avançarmos na definição de políticas públicas e diretrizes que compartilhem responsabilidades públicas e sociais, almejando sustentabilidade ambiental e desenvolvimento do povo da Amazônia", esclarece a presidente da Comissão, deputada Janete Capiberibe (PSB-AP).
Um tema em destaque na tarde de ontem foi a parceria da Comissão da Amazônia e Desenvolvimento Regional com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) com o objetivo de incentivar a produção científica na região. O presidente da SBPC, Marco Antonio Raupp, ressaltou que há nove anos a entidade promove discussões sistemáticas sobre desenvolvimento da Amazônia. "Um dos temas da agenda acadêmica é a definição de estratégias para fomentar a formação de pesquisadores com especialização em temas relacionados com o desenvolvimento da Amazônia", complementou.
A deputada Janete Capiberibe defendeu a parceria e disse que a atuação conjunta da comissão com a comunidade científica pode render frutos a curto e médio prazos. "Iniciamos essa parceria já faz algum tempo e, a cada reunião anual da SBPC, o trabalho tem avançado, o que nos deixa otimistas e entusiasmados", avaliou.
Segundo dados da SBPC, apenas 30% das pesquisas realizadas hoje sobre o bioma amazônico são feitas por brasileiros. A deficiência, segundo Raupp, é conseqüência da falta de doutores nas universidades da região. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC) indicam que a região Norte tem apenas 1,8% de docentes com titulação de doutor, enquanto a região Sudeste concentra 83,2% dos titulados. A região Norte conta só com 3,5% dos programas de pós-graduação (cursos de mestrado e doutorado), enquanto as regiões Sul e Sudeste concentram juntas cerca de 75% desses cursos.
Diante desses diagnóstico, a SBPC lançou a proposta de incentivos para a formação de doutores para a Amazônia, a fim de reforçar os estudos locais e ampliar a participação do Brasil na produção científica sobre o bioma amazônico. "Esse incentivo é fundamental para o desenvolvimento econômico, social, científico e tecnológico da região", reforçou Raupp.
Transportes
Outro foco do debate foi a necessidade de redefinição dos modelos de transportes na região amazônica, como a substituição das embarcações de madeira por materiais mais seguros, como o ferro. Para o representante da Marinha, o capitão-de-mar-e-guerra Milton Benevides dos Guaranys, "as embarcações de madeira não atendem mais aos modernos padrões de segurança". Ele defendeu um sistema integrado de incentivos fiscais e de financiamento a baixo custo para a construção de barcos, com a participação de todos os estados da região.
A presidente da Associação dos Armadores do Transporte de Cargas e de Passageiros do Amazonas, Alessandra Pontes, denunciou os riscos no transporte de passageiros pelos rios da região. "A falta de segurança é alarmante, sobretudo no Amazonas, que tem registrado acidentes freqüentes. Apesar disso, nenhuma medida efetiva foi tomada até agora para garantir a segurança dos usuários desse tipo de transporte", afirmou.
A deputada Vanessa Graziottin (PCdoB-AM), que presidiu a mesa sobre modelos de transportes, complementou que é urgente a implementação de medidas para promover o transporte sustentável e seguro na região. "Um dos objetivos desse simpósio é discutir formas e estratégias para a solução dos problemas de transporte na Amazônia", enfatizou.
Com informações da Agência Câmara