A criação de um grupo de trabalho para estudar mecanismos que visem à fixação de alunos beneficiados pela política afirmativa de cotas nas universidades federais. Esse foi o resultado da reunião realizada ontem (30) entre os ministros da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Edson Santos, e da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende. "Estamos prontos para formar esse grupo e implementar essas ações", garantiu Rezende.
De acordo com Edson Santos, estudos realizados pela Seppir apontam que a maior dificuldade para os alunos permanecerem nas universidades federais são as barreiras econômicas. Segundo ele, a política de cotas, que permite acesso ao ensino superior, não garante a permanência desses estudantes até a conclusão do curso. Para reverter esta situação, Santos sugere que se utilize os instrumentos existentes, como as bolsas oferecidas pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic/CNPq) e pelo Programa de Educação Tutorial (PET/Capes).
Entretanto, alertou o ministro, esse incentivo estaria necessariamente ligado à área de estudo do beneficiado. "É importante que esta bolsa esteja ligada ao trabalho de ensino, pesquisa ou extensão", ressaltou Santos.
Sergio Rezende sugeriu que fizessem parte desse grupo representantes do Ministério da Educação e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O ministro Rezende ressaltou ainda que a pasta será representada no grupo de trabalho pela assessora especial Ana Gabas e pela vice-presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT), Wrana Panizzi. Já a Seppir será representada pelo subsecretário de Políticas de Ações Afirmativas, Giovanni Harvey.
Rezende pediu que se fizesse um levantamento dos resultados da política de cotas já implementadas e lembrou que as experiências da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) - na qual o aluno beneficiado pelo regime cotas ganha uma pontuação a mais - apresentaram bons resultados. "Essas experiências são diferentes daquelas de universidades que estabelecem uma cota numérica. O aluno que ganhou essa nota a mais se destaca. O resultado é bem parecido com os obtidos com o programa Universidade para Todos", disse.