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A energia nuclear na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia
09/10/2008 - 10:13

A energia nuclear vem ocupando um importante papel na melhoria da qualidade de vida dos brasileiros. O uso das tecnologias nucleares contribui para prolongar a conservação dos alimentos. Na área médica, há aplicações no diagnóstico e tratamento de uma série de doenças. A indústria se beneficia em diferentes segmentos. A energia elétrica gerada nas usinas Angra 1 e 2 contribui para o desenvolvimento do País. Há ainda diversas outras áreas nas quais poucos imaginam que a energia nuclear possa estar presente de forma tão fundamental.

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen/MCT) investe em pesquisa e desenvolvimento na área nuclear e atua para que o uso destas tecnologias seja cada vez mais amplo e seguro. Alguns usos da energia nuclear poderão ser conhecidos nas exposições que a Cnen montará em vários locais e datas na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que ocorre entre os próximos dias 20 e 26.

Medicina
O uso das radiações vem salvando vidas há dezenas de anos por meio do tratamento e diagnóstico de várias doenças. Entre os procedimentos mais conhecidos estão a radiografia, a tomografia e a mamografia. São realizadas com equipamentos de raio-X, que produzem radiação a partir de eletricidade, e servem para análise de diversas partes do corpo humano.

Boa parte do uso das radiações ocorre com radioisótopos e radiofármacos, substâncias radioativas de uso medicinal produzidas no Brasil exclusivamente pela Cnen. Cerca de 2,5 milhões de procedimentos médicos são realizados anualmente no País com estes produtos. A maior produção é de tecnécio-99, empregado no mapeamento de órgãos humanos. Outros exemplos são o samário-153, que alivia dores provocadas por metástases ósseas, e o iodo-131, que é usado em radioterapia de tumores da tireóide.

Uma das mais avançadas tecnologias usadas na medicina é a Tomografia por Emissão de Pósitrons, conhecida por PET (sigla em inglês para Pósitron Emission Tomography). Com muito mais eficácia que qualquer outra técnica, ela é capaz de detectar casos de câncer. O exame PET identifica alterações metabólicas nas células cancerosas que ocorrem muito antes das evidências que as demais técnicas conseguem identificar. Usado na avaliação das atividades do coração e do cérebro, ele acusa sensíveis alterações de metabolismo que também podem identificar doenças.

A cada ano, o Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), unidade da Cnen em Minas Gerais, irradia cerca de quatro mil bolsas de sangue e hemoderivados para a Fundação Hemominas e para clínicas particulares de Belo Horizonte. A técnica impede a divisão dos linfócitos T. O sangue sem as células T minimiza o risco de pacientes imunossuprimidos ou imunoincompetentes desenvolverem a síndrome de GVHD (reação de enxerto-versus-hospedeiro, Graft-Versus-Host Disease, em inglês), em que as células imunológicas do doador de sangue ou órgãos reagem contra os antígenos do receptor com sistema imunológico deprimido. Como ainda não se conhece tratamento para a GVHD, 90% dos pacientes acometidos não sobrevivem.

Além de pacientes com problemas de imunidade, pessoas que passam por transplante de medula óssea, fetos que recebem transfusões intra-uterinas e receptores de órgãos de parente em primeiro grau também se beneficiam da técnica.

Indústria
O processo de irradiação de fios e cabos elétricos melhora suas propriedades térmicas, elétricas e mecânicas. Possibilita a fabricação de condutores com maior resistência, utilizados nas indústrias aeronáutica, automobilística, naval e de computação. O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), unidade da Cnen em São Paulo, presta este serviço. Só em 2002 foram irradiados no Instituto cerca de 12 milhões de metros de cabos e fios elétricos fabricados pela indústria paulista.

Outro uso de técnicas nucleares bastante conhecido na indústria é a gamagrafia industrial, uma radiografia com a utilização de raios gama. A técnica serve para verificação de trincas, desgastes e qualidade das soldas de estruturas metálicas utilizadas em dutos, equipamentos industriais, aviões, navios e outros. Na construção civil, permite analisar a integridade de estruturas de concreto.

Há também o processo de radioesterilização, que é a esterilização com o uso de radiação. Na indústria, serve para os mais diversos tipos de produtos, como seringas, materiais cirúrgicos em geral e cosméticos, entre outros.

A fonte nuclear é hoje a terceira mais empregada no mundo para a geração de eletricidade. No Brasil, as usinas nucleares Angra 1 e 2 geram cerca de 4% da energia elétrica total. Juntas, elas têm um potencial de produção superior a 1,9 mil megawatts, o que corresponde a 50% do consumo de um grande estado, como o Rio de Janeiro. Nos próximos anos, Angra 3 deve entrar em funcionamento.

Para favorecer a conservação e qualidade, os alimentos recebem uma quantidade controlada de radiação gama. Essa técnica, aprovada pela FAO - órgão da ONU responsável por programas mundiais de alimentação e agricultura - ,retarda o tempo de maturação e destrói bactérias, fungos e outros microorganismos, reduzindo as perdas e a transmissão de doenças. A irradiação de cerca de 40 tipos de alimentos (grãos, especiarias, carnes, peixes, ovos, frutas e legumes) já é utilizada por mais de 50 países em escala comercial.

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