Um estudo baseado na modelagem ambiental - que utiliza imagens de satélites para identificar áreas onde ocorrem espécies ameaçadas - será apresentado no evento promovido pelo Museu Paranaense Emílio Goeldi (MPEG/MCT). Esses estudos geram modelos de distribuição potencial para 32 espécies amazônicas ameaçadas de extinção e subsidiam o Extinção Zero, programa do Governo do Pará que monitora plantas e animais que correm risco de desaparecer e, principalmente, aponta medidas para evitar a extinção.
O trabalho de modelagem ambiental é uma das ações do Projeto de Espécies Ameaçadas do Pará, realizado em parceria com a Conservação Internacional (CI). "A técnica de modelagem ambiental é uma das ferramentas mais modernas e poderosas para o estudo de áreas potenciais de ocorrência de espécies animais e vegetais. A integração de informações ambientais e climáticas, com pontos de distribuições das diferentes espécies e uso de algoritmos permite que se projete onde se encontram as condições mais favoráveis para a ocorrência das espécies", explica o bolsista da Coordenação de Ciências da Terra e Ecologia do MPEG, Jorge Luis Araújo Martins.
Os especialistas em biodiversidade querem entender quais as variáveis que estão mais intimamente correlacionadas à ocorrência das espécies amazônicas. "O uso dessa ferramenta, aplicada ao estudo de espécies ameaçadas, gera informações muito importantes que ajudarão a nortear planos de ação para proteção de animais e plantas, além de definir com mais precisão áreas para novas pesquisas", acrescenta Martins.
A integração de dados de bases distintas é outra vantagem desta ferramenta. Segundo Martins, a integração de dados gerados por modelagem é feita com outras bases como o Prodes, que, a partir do uso de imagens de satélite, faz o levantamento da interferência humana sobre a floresta Amazônica, dentro dos limites da Amazônia Legal brasileira. Os pesquisadores podem, com essas informações, calcular a cobertura florestal no nicho potencial de ocorrência das espécies, além de fazer a sobreposição a bases de Unidades de Conservação (UC) para avaliar se o nicho da espécie já esta contemplado em áreas protegidas (UC’s ou Terras Indígenas). "A ferramenta também permite a sobreposição com bases LandSat classificadas para detalhamento de cobertura do solo na área de nicho potencial, e cálculo qualitativo e análise espacial das fitofisionomias nas áreas de ocorrência potencial", detalha.
Olhando para o futuro, Jorge Martins ressalta que as informações geradas por estudos sobre as mudanças climáticas globais ajudarão a entender como essas áreas de nichos evoluirão no futuro e quais serão os desafios enfrentados pelas espécies e os ecossistemas amazônicos. A maior capacidade de previsibilidade das pesquisas, considerando diferentes cenários de desmatamento, também ajudará a nortear as estratégias que protejam a biodiversidade da Amazônia.