Ulisses Confalonieri: pesquisa mapeou áreas mais vulneráveis do país.
A influência do clima na sazonalidade de doenças como malária, dengue, cólera, leptospirose, leishmanioses e hantavírus e suas possíveis consequências nas regiões brasileiras foram o objeto da pesquisa sobre a Análise da Vulnerabilidade da População Brasileira aos impactos Sanitários das Mudanças Climáticas. O Seminário para apresentação da pesquisa está sendo realizado hoje (18), no auditório do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), durante todo o dia.
Pela manhã, foi feita uma apresentação geral do projeto pelo professor da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e coordenador do projeto, Ulisses Confalonieri. Segundo ele, a pesquisa mapeou com indicadores sócio-econômicos, ambientais e epidemológicos as áreas mais vulneráveis do País. "Em índices gerais, a região mais vulnerável é a Nordeste. Com isso, constatamos a necessidade urgente de termos modelos climatológicos diferentes para cada região", explicou Canfalonieri.
Ele ressaltou também a importância de integração desse tipo de estudo com outros setores da sociedade, "pois questionamentos sobre o futuro da produção de alimentos no País, ou o que vai acontecer com a qualidade da água, ou a interação do clima e os poluentes atmosféricos nas grandes cidades, tudo isso afeta a saúde".
Segundo o coordenador geral de Mudanças do Clima do MCT, José Miguez, a importância desse estudo é o da precaução. "Não estamos respondendo perguntas, estamos nos precavendo e começando a estudar os possíveis impactos futuros e tentando avaliar a vulnerabilidade do País às mudanças climáticas. São várias áreas, mas estamos dando prioridade à saúde, agricultura e pesca. No caso específico da saúde, esse trabalho nos ajudará a criar políticas públicas que atuem no sentido de melhorar o controle dessas doenças", afirma.
O estudo é resultado de uma parceria entre MCT e Fiocruz e é um dos compromissos do Brasil junto à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima. A pesquisa foi feita em território nacional, durou cerca de três anos e tomou como base os anos de 1996 a 2001.
Ainda na tarde de hoje serão apresentados a metodologia e os resultados do Projeto.