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13/04/2005 - 17:44
O direito de propriedade sobre o conhecimento científico é um dos problemas para o desenvolvimento de países como o Brasil, afirmou hoje (13), no Rio de Janeiro, o professor Cylon Gonçalves, secretário de Políticas Estratégicas e Desenvolvimento Científico do Ministério da Ciência e Tecnologia, em palestra no 4º Congresso Mundial de Museus e Centros de Ciência.
?Pesquisa e inovação geram riquezas que resultam em bem-estar para as populações e geram mais pesquisas e inovação. Esse é o círculo virtuoso do desenvolvimento da civilização atual, que tem como base de construção de riqueza o conhecimento. No Brasil enfrentamos algumas conseqüências dessa forma de crescimento, e é por isso que estamos trabalhando em uma legislação específica envolvendo a questão dos direitos de propriedade sobre o conhecimento?, disse Cylon, que participou do painel Fronteiras e controvérsias da Ciência.
Desafios e controvérsias O secretário do MCT lembrou que museus e centros de ciências existem para a educação, entretenimento e para mostrar as maravilhas da ciência e da tecnologia, resultados de pesquisas que envolvem custos muito elevados. ?Não há riqueza sem direito de propriedade, e isso acontece no Ocidente desde a revolução industrial; aqui e para o futuro, para o bem ou para o mal, os direitos de propriedade estão cada vez mais ligados ao conhecimento. E isso é o resultado da transformação do conhecimento em riqueza, como foi no passado o direito sobre a propriedade da terra?, ressaltou.
O professor Pietro Corsi, da Universidade de Paris, também presente no painel, colocou em dúvida a continuidade do atual sistema de produção científica. ?Nós não lidamos com questões políticas, não deixamos claro para todo o público que a história da ciência é marcada por decisões puramente políticas. Por que, por exemplo, não se decide investir mais em pesquisas sobre a malária, uma doença que acomete populações de países pobres?, indagou. Segundo Corsi, a ciência deveria ser uma casa aberta a todos, ?mas se transforma, cada vez mais, numa fortaleza que precisa ser conquistada, e este é o momento para pensar ciência não somente como uma ação, ou como aventura, mas como uma questão política que deve ser debatida por todos?.
Segundo professor, o desenvolvimento da ciência não é um caminho em direção à verdade, mas uma história de decisões políticas e pressões que deixam de lado a participação dos cidadãos.
A cientista da Nasa, Regina North, abriu um debate: ?Será que estamos preparados para o que vem no futuro??, perguntou, argumentando que o conhecimento precisa ser mais democratizado, mesmo com os avanços em matéria de difusão de informações científicas. Para ela, os centros de ciências podem ajudar a corrigir erros do passado e aproximar mais os cientistas com o público.
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