O Laboratório de Combustão e Propulsão (LCP) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), terminou no final do mês de março a qualificação, em banco de teste com simulação de altitude, de um catalisador nacional. Agora, os dados obtidos estão sendo tratados para serem comparados aos resultados obtidos com o catalisador americano "Shell 405", utilizado pela comunidade mundial. O desenvolvimento de um catalisador nacional tem como objetivo uma possível substituição do similar americano.
O catalisador é o instrumento utilizado no sistema propulsivo integrado aos satélites. Responsável por acelerar uma reação química de decomposição de um produto químico sem participar efetivamente da reação ? ou seja, sem ser consumido -, o catalisador é peça essencial no sistema de propulsão e correção de órbitas de um satélite. Esses, ao serem lançados, são colocados em uma órbita elíptica, a qual prejudica especialmente o trabalho de satélites de sensoriamento remoto ou de telecomunicações, pois provoca variação da distância entre a Terra e tais satélites. Dessa maneira, o sistema propulsivo permite tornar circular a órbita do satélite, de acordo com a missão a ser cumprida.
De acordo com o pesquisador José Augusto Jorge Rodrigues, do LCP, "o catalisador nacional traria independência tecnológica ? pois, para se adquirir o catalisador dos EUA, é necessário um trâmite, envolvendo inclusive a autorização do governo americano ?, faria o Brasil entrar no seleto grupo de países que fabricam esse catalisador e seria mais um produto para exportação, pois poderia ser fornecido aos países em desenvolvimento, entre eles, a Argentina".
Atualmente, existe um pedido de patente do catalisador nacional, que está sendo qualificado através de testes de comparação com o catalisador americano. Esses testes contam com o apoio da Fibraforte, industria nacional responsável pelo fornecimento do subsistema de propulsão da Plataforma Multi-Missão (PMM); projeto do Inpe em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB/MCT), e financiado pelo Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Histórico
Desde a década de 1980, estudantes de mestrado da então Ciência Espacial/Combustão do Inpe, além de funcionários e assessores externos, iniciaram estudos visando o desenvolvimento de sistemas propulsivos, que seriam utilizados nos futuros satélites previstos pela Missão Espacial Completa Brasileira (MECB). A partir daí, o Departamento de Combustão e Propulsão (DCP), hoje LCP, construiu e testou protótipos de sistemas monopropelentes à decomposição catalítica da hidrazina e motores bipropelentes, que utilizavam a hidrazina e água oxigenada.
O sucesso desses protótipos atestou o pioneirismo na América do Sul e também reforçou a necessidade de se desenvolver um catalisador nacional e um banco de testes com simulação de altitude para a qualificação desse sistema, visando a utilização espacial. Foi então formado um grupo de catálise para desenvolver o equipamento, que seria composto de um suporte, um tipo especial de alumina, impregnado com irídio.