Até o final do ano, Pernambuco começa a produzir radiofármacos para os hospitais privados e particulares do Nordeste. O material será utilizado no diagnóstico precoce e preciso de vários tipos de câncer e de doenças cardíacas e neurológicas. A produção dos radiofármacos será feita por um cíclotron que está sendo adquirido pelo Centro Regional de Ciências Nucleares (CRCN), unidade vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), sediada em Recife.
O processo licitatório para compra do equipamento teve inicio hoje (11), com a publicação do edital no Diário Oficial da União. A solenidade simbólica do lançamento do documento aconteceu nas instalações do CRCN, com a presença do ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos.
Com a instalação do cíclotron, Pernambuco vai se tornar o terceiro estado do Brasil a produzir radiofármacos. Hoje, além da Europa e Estados Unidos, só as unidades da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) no Rio de Janeiro e São Paulo contam com o equipamento. No Rio, a máquina está instalada no Instituto de Energia Nuclear (IEN) e em São Paulo, no Instituto de Pesquisa em Energia Nuclear (IPEN). Ambos são vinculados ao MCT.
Para o ministro Eduardo Campos, a instalação desse novo equipamento significa um avanço importante para a medicina do estado e da região Nordeste. "Esse equipamento vai contribuir com a saúde pública. Hoje, segundo o Instituto do Câncer (INCA), há 75 mil pessoas do Norte e Nordeste portadores da doença e só duas mil conseguem fazer o tratamento", disse. "Nossa maior alegria é saber que estamos contribuindo para dar acesso aos que não têm condições financeiras de viajar para cuidar da saúde", concluiu.
O presidente da CNEN, Odair Dias Gonçalves, presente na solenidade, agradeceu ao ministro pelo novo programa nuclear adotado pelo Brasil, com fins estritamente, pacíficos. "O ministro Eduardo Campos é o grande responsável por estarmos conseguindo que o assunto Energia Nuclear seja apoiado pela população brasileira. A produção de radiofármacos é um dos exemplos dos benefícios desse setor", ressaltou.
A CNEN tem, constitucionalmente, o monopólio de produção dos radiofármacos. O produto será comercializado com os hospitais. No entanto, para fazer o diagnóstico das doenças, é necessário a aquisição de um Tomógrafo PET (Positron Permission Tumograf), avaliado entre U$ 1,5 milhão e U$ 2,5 milhões. "O investimento é alto, mas vários hospitais do Recife e de outras capitais do Nordeste já demonstraram interesse em adquirir o equipamento", disse um dos técnicos do CRCN, Sérgio Cabral, lembrando que "o investimento acaba se tornando um processo econômico porque evita outros exames, como a ressonância magnética, por exemplo".
Segundo ele, o diagnóstico PET é tão preciso que, com três anos de antecedência, os médicos podem visualizar a formação de alguns tipos de câncer no paciente. Existem, nos hospitais de todo o mundo, 1.800 Tomógrafos PET. O Brasil conta com seis máquinas desse tipo, sendo quatro em São Paulo e duas no Rio de Janeiro. A estimativa, no Nordeste, é de que seis hospitais adquiram o aparelho logo que o cíclotron estiver funcionando.
O primeiro radiofármaco a ser produzido no estado será o FDG (Fluoro Deoxi Glucose), responsável por 95% de todas as aplicações da tomografia PET realizadas. Para o edital, com concorrência internacional, são muitas as exigências, sobretudo, a experiência e a garantia de manutenção do equipamento para que fornecedores e hospitais sintam-se seguros do investimento. A aquisição do cíclotron permitirá ainda a realização de pesquisas pelas universidades do Nordeste.