Tapiri Amazônico: Um templo do Brasil. É assim que se define o espaço reservado para abrigar as várias instituições do Norte do País que vão participar do 4º Congresso Mundial de Centros de Ciências. Realizado pela primeira vez no Brasil, o evento começa no próximo domingo (10) e vai reunir centros de pesquisa de diversos países, no Rio de Janeiro. Simultaneamente, acontecerá a Expo Interativa, que se estenderá até o dia 17 deste mês com a participação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.
Segundo o coordenador de Extensão do Inpa, Jackson Fernando Rêgo, essa é a oportunidade para os representantes da região amazônica debaterem ciência e tecnologia (C&T) com outros especialistas, porque o objetivo é promover a integração entre todos os centros. Ele também esclarece que a concepção do Tapiri Amazônico foi concebida pela Coordenação de Extensão (COXT) para dar idéia de integração, com uma grande "oca", um tipo de moradia indígena, reunindo todas as instituições. "Nós queríamos mostrar união entre os centros de pesquisa do Norte, por isso, escolhemos esse modelo, sem paredes ou divisórias. Os estandes serão separados apenas por uma cordinha", destacou.
Rêgo esclarece que o Tapiri é um espaço dedicado aos institutos de ensino superior, pesquisa, museus, ONGs, agências de saúde e centros tecnológicos. Ele mede cerca de 576 m², será coberto com palha branca e sua estrutura é feita com barras de ferro revestida com papel madeira, para ficar com uma aparência rústica. "Queremos integrar a tecnologia aos conhecimentos tradicionais", afirmou.
Para isso, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) destinou aproximadamente R$ 316 mil para a realização do projeto, sendo R$ 150 mil somente para construção da "oca" e R$ 166 mil para o Inpa viabilizar o aluguel do estande, oficinas, confecção de banners, folders, camisetas,
cartazes, esculturas que serão apresentados na Expo Interativa.
Um dos idealizadores do projeto, Eliberto de Souza Barroncas, vinculado à COXT, explicou que na entrada o visitante encontrará esculturas do homem amazônico em tamanho real trabalhando com a terra, ou seja, interagindo com o meio. Dentro, vai estar exposto o resultado das pesquisas. "Nós procuramos fazer algo diferente, que chamasse a atenção, por isso, o Tapiri também estará ambientado com grafismos indígenas espalhados pela sua estrutura. Os significados estarão nos folders que serão distribuídos ao público", explicou.
De acordo com Barroncas, a Expo Interativa também vai contar com uma programação cultural diversificada apresentada no Espaço Livre, e a programação da região Norte, ficará sob a responsabilidade da COXT. Ele disse que serão apresentadas danças, teatros, sempre com temas que abordem a Amazônia. "O Corpo de Dança do Amazonas apresentará o espetáculo O Grito Verde. A ONG OELA mostrará os instrumentos musicais de cordas confeccionados por jovens que moram no bairro do Zumbi, localizado na zona leste de Manaus", ressaltou.
Dentro da programação cultural vai acontecer os Diálogos Amazônicos, que consiste em debates entre os pesquisadores e o público presente sobre os projetos de inclusão social que são realizados nos institutos de pesquisa. "Um deles será proferido por Rêgo, que abordará Enraizamento Cultural e Etnoconsevação na Amazônia. Outro diálogo será com o pesquisador da Fiocruz e pajé tucano, Gabriel Gentil, que falará sobre os rituais indígenas, calendário lunar etc", destacou Barroncas. Segundo a assessora da diretoria da Fiocruz (AM), Sandra Willecke, o objetivo é popularizar e legitimizar a ciência junto aos cidadãos.
Projetos
O Inpa vai levar na bagagem aproximadamente dez projetos para a Expo Interativa. A intenção é mostrar para o público os trabalhos de inclusão social desenvolvidos pela instituição, tendo sempre como foco o homem amazônico e a temática na qual está inserida. Para que haja essa interação entre o homem e a natureza, o Laboratório de Psicologia e Educação Ambiental (LAPSEA/Inpa) parte do pressuposto de que é preciso entender esse processo sociocultural, considerando as diferentes lógicas das pessoas que vivem na cidade, buscando sempre a
socialização da educação ambiental. O projeto carro-chefe é o Pequenos Guias, realizado há dez anos com jovens que moram no entorno do Bosque da Ciência.
A educação ambiental é o começo da inclusão social, para depois passar para as outras pesquisas, por exemplo, a realizada por Helyde Albuquerque Marinho, da Coordenação de Pesquisas em Ciências da Saúde (CPCS), onde são produzidos cosméticos de óleos de palmeiras amazônicas. Na área de Nutrição, Lúcia Yuyama, também da CPCS, desenvolveu uma farinha à base do fruto da pupunheira. A farinha pode ser utilizada para preparar bolos, doces, salgados, pratos típicos como o pirarucu de casaca, além de poder ser consumida in natura. Ela também serve como fonte de vitamina A para as pessoas que têm problema de falta de vitamina.
O Inpa também vai apresentar "a sopa de piranha", desenvolvida por Rogério de Jesus, da Coordenação de Pesquisas em Tecnologia de Alimentos (CPTA). Ela já foi provada e aprovada pelos presidentes da Venezuela, Hugo Chavez, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a 2ª Feira Internacional da Amazônia. Na área de manejo florestal, a Coordenação de Pesquisas em Produtos Florestais (CPPF) apresentará o aproveitamento do resíduos florestais para confecção de móveis rústicos e instrumentos musicais. Além desses projetos serão apresentados os trabalhos realizados com terra preta, o Projeto Comunidade no Jardim Botânico, a Pós-graduação, entre outros.
A região Norte será representada pelas seguintes instituições: Centro Tecnológico do Pólo Industrial de Manaus (CT PIM), Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), Instituto Mamirauá, localizado em Tefé (AM), Museu Sacaca (Amapá), Museu Paraense Emílio Goeldi (PA), Museu de Roraima, Hemoam, Sebrae, Fundação Cecon, Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Amazonas (SECT-AM), Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado de Rondônia (SECT-RO), Editora da Universidade Federal do Amazonas (EDUA), Organizações Não Governamentais como a Oficina Escola Lutherana da Amazônia (OELA), entre outros.