Químico dedicado à restauração de obras há 23 anos, o diretor do Centro de Documentação (Cedoc) da Universidade de Brasília (UnB), José Carlos Andreoli, participou de cursos na Itália (Florença) e depois na França (Paris), onde fez mestrado na Sorbonne (Paris I) por três anos. Está na UnB desde o início do centro, em 1988. Segundo ele, o Cedoc chegou a um patamar elevado no campo da restauração de livros e documentos devido à experiência e dedicação à atividade. "Só trabalha com esse tipo de obras, quem realmente gosta do que faz", afirma.
E foi essa bagagem que credenciou o centro a restaurar quatro mil itens raros da biblioteca Acadêmico Luiz Viana Filho, do Senado Federal. O convênio foi firmado em novembro de 2003 e os trabalhos de restauração iniciados em outubro de 2004. O tempo entre a assinatura e o início do serviço foi usado para ampliar o laboratório, adquirir equipamentos específicos e capacitar mão-de-obra.
Serão investidos, no total, R$ 2,08 milhões. De acordo com Andreoli, o tempo estimado para o término do trabalho é de cinco anos e o treinamento dos funcionários será útil para a própria Biblioteca Central da UnB (BCE) "Trabalhamos também com o pessoal da BCE para que apliquem o aprendizado adquirido, na conservação e, se necessário, na restauração das obras raras da UnB", ressalta. A responsabilidade do Cedoc é grande. Uma das peças mais significativas recebidas para restauração é a coleção Flora Brasiliensis (1842), do botânico alemão Karl Von Martius. Só existem duas dessas coleções completas, uma na Biblioteca do Senado e outra na Áustria. De acordo com Andreoli, o trabalho para a recuperação completa de uma dessas obras pode durar até dois meses.
Sem descaracterizar
O processo de restauração de uma obra rara requer paciência, talento e inspiração dos técnicos especializados nessa prática. Por isso, o próprio Cedoc foi responsável pela capacitação dos 14 funcionários, que formam a equipe do projeto. A bibliotecária Mariana Pereira, formada pela UnB, é uma das técnicas em restauração que integra a equipe e mostra-se feliz em poder dar vida nova a obras antigas. "É gratificante poder recuperar parte de todo esse patrimônio", afirma a jovem de 24 anos.
A técnica em restauração Jenina Daher, há 10 anos no Cedoc, considera importante manter, em primeiro lugar, a concepção original da obra. "Procura-se fazer a menor intervenção possível para que o livro não fique descaracterizado," detalha. Os equipamentos usados são nacionais e de alta tecnologia. Já a maior parte dos produtos químicos, importados e de alto custo. Uma amostra de bookeper, usado na restauração, chega a custar US$ 110,00 e pode ser utilizada em apenas um livro.
2005
Além de dar continuidade ao projeto com a Biblioteca do Senado, o Cedoc pretende assinar outro convênio de grande porte, que resultará na montagem de dois novos laboratórios. Um voltado para a restauração de documentos gráficos e outro para obras de arte. Andreoli considera a infra-estrutura física do centro boa, porém necessita de alguns pequenos reparos. As salas de guarda são climatizadas e preparadas para conservar e preservar os livros e documentos históricos da UnB, como os atos das reuniões da criação do primeiro conselho diretor da UnB (1962-1970). Em seus 19 anos de história, o Cedoc mantém a trajetória da UnB documentada e em segurança. "Aqui está toda a história da universidade", afirma Andreoli.
Assessoria de Comunicação da UnB