Os povos indígenas estão em plena expansão demográfica, política e territorial no Brasil. Segundo um novo levantamento, apenas na Bahia há atualmente cerca de 25 mil índios espalhados por cerca de 12 tribos. Entre 1993 e 1994, a estimativa era de 22 mil. Os números que apontam um crescimento de 13,6% no período são do Departamento de Antropologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), obtidos por meio do Programa de Pesquisa sobre os Povos Indígenas do Nordeste Brasileiro (Pineb), que estuda há 34 anos os hábitos das comunidades indígenas da região.
O levantamento do Pineb teve como pano de fundo estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nas quais a população indígena passou a representar, em 2000, 4,1% da população. Em 1991, o índice era de apenas 0,2%. Foram utilizadas ainda informações da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e da Fundação Nacional do Índio (Funai).
"Os contatos violentos da colonização européia não conseguiram destruir a população indígena no Brasil e hoje o crescimento populacional é uma tendência geral dos índios brasileiros", disse a coordenadora do Pineb, Maria Rosário de Carvalho. A pesquisadora explica que a queda demográfica acentuada foi registrada até o final da década de 1960.
Maria Rosário aponta que o crescimento populacional não é fruto da miscigenação de índios com brancos ou negros. "O aumento da população é resultado do retorno às suas tribos daqueles que estavam deslocados, além do forte crescimento vegetativo", explica.
Indicadores on-line
Para registrar os dados colhidos durante as pesquisas, o Departamento de Antropologia da UFBA criou um banco de documentação informatizado com a trajetória das sociedades indígenas brasileiras. Trata-se do Fundo de Documentação Histórica Manuscrita sobre os Índios da Bahia (Fundocin), que reúne informações que permitem comprovar os direitos das sociedades indígenas às terras que reivindicam, além de fornecer material para pesquisa e orientação jurídica. Além da Bahia, o fundo deverá incluir dados populacionais de outros estados.
"A idéia é reunir documentação proveniente de fontes seguras sobre a história indígena e o indigenismo, o que abarca desde o século 17 até os nossos dias. O Fundocin foi criado também para que os próprios índios tenham conhecimento de sua história", conta Maria Rosário.
A pesquisadora garante que o banco de dados é uma ferramenta eficiente para apoiar os casos de demarcação de terras, na medida em que conta com documentos que comprovam a existência das tribos em seus territórios originais. "Estamos no processo final de revisão. As informações devem estar disponíveis na internet até o final do ano para a comunidade científica interessada no assunto", disse.
Mais informações: www.antropologia.ufba.br