O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), instituição vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), recebe hoje (27) e amanhã (28) a visita da delegação de representantes do governo da República Dominicana. Os dominicanos vêm, por intermédio da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), iniciar estudos de viabilidade econômica e técnica para a implantação de um irradiador multipropósito naquele país.
A delegação dominicana será composta pelo secretário de Estado e assessor agrícola do Poder Executivo, Quilvio Cabrera, pelo assessor econômico do secretário técnico da Presidência, Gerardo Taveras, e pelo pesquisador da área de meio-ambiente do Instituto Dominicano de Tecnologia Industrial (Indotec), Wilfredo Tavares.
Eles se reunirão durante os dois dias com o pesquisador Paulo Roberto Rela, do setor de desenvolvimento de instalações radioativas industriais, do Centro de Tecnologia das Radiações do Ipen, e, ainda na quinta-feira, às 16h, com o superintendente do instituto, Cláudio Rodrigues.
Irradiador multipropósito
O equipamento é utilizado em pesquisas e processos de esterilização, tanto de materiais médicos e descartáveis cirúrgicos, quanto de tecidos biológicos para implantes cirúrgicos, como ossos, tendões e pele, mas sobretudo na diminuição da quantidade de microorganismos presentes nos alimentos, frutas frescas e secas.
A dose de radiação segue regras rígidas que garantem a ruptura do DNA e reações químicas que matam apenas os agentes contaminantes, sem interferir na estrutura dos átomos que constituem os materiais esterilizados. Estes são irradiados em sua embalagem final, o que garante que não haja manuseio posterior e riscos de nova contaminação. O tempo de exposição dos produtos é registrado em cada operação, de forma a permitir que todo lote tenha mapeamento específico de dosagem, de acordo a norma ISO 11137, que estabelece padrões para esse serviço.
A máquina do Ipen foi inaugurada em agosto de 2004, com a presença do ministro de Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos. Foi projetada e desenvolvida com tecnologia totalmente nacional, incluindo inovações que garantem maior aproveitamento de tempo na sua utilização, já que, para colocar novas caixas com produtos a serem irradiados, não é necessário desligá-la.
Com uma câmara de irradiação, que comporta um volume de 4,32 metros cúbicos, o irradiador multipropósito do Ipen utiliza como fonte radioativa o cobalto-60, que fica submerso em uma piscina de água desmineralizada. A água serve de blindagem para as radiações. O equipamento possui sistemas redundantes de segurança, até mesmo quanto a tremores.
O Ipen é uma autarquia do Estado de São Paulo, gerenciada técnica, administrativa e financeiramente pelo Governo Federal, por meio da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia.