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03/12/2004 - 12:42
No encerramento do 1º Seminário Internacional de CT&I para o Desenvolvimento Sustentável e a Inclusão Social na Amazônia Legal (1º Siamazon 2004), organizado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), em Brasília, o diretor da Organização do Tratado de Cooperação da Amazônia (OTCA), Marcos Pontes, destacou a importância de se pensar a Amazônia de forma continental, assim como o papel fundamental da ciência, tecnologia e da cultura na emancipação da região.
O evento, organizado pelo MCT, reuniu durante quatro dias políticos, pesquisadores, empresários e representantes de organizações não-governamentais.
Alguns pontos foram recorrentes na fala dos participantes. O conhecimento científico deve levar em conta a sabedoria popular, e o imenso potencial de recursos naturais da região precisa ser explorado de forma sustentável. Para isso, é necessário um maior conhecimento da complexidade dos ecossistemas.
Na preservação e promoção da região, Marcos Pontes disse que "as políticas públicas devem ser conseqüentes a todos os países que compõem a Amazônia Continental."
Outra questão evidenciada por diversos conferencistas foi a necessidade de uma articulação maior entre os diversos órgãos do governo federal e estaduais para uma melhor gestão dos recursos destinados à região. Ao ressaltar a importância da gestão se dar de forma transparente, o professor Alain Rellan, da Universidade de Montpellier (França), parabenizou o MCT, por ter iniciado essa prática de transparência no emprego de recursos. Rellan trabalhou, de 1995 a 2002, como consultor na elaboração e execução do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá.
As avaliações feitas durante o seminário serão reunidas em uma publicação. O documento dará origem à Carta de Brasília, que será uma proposta de desenvolvimento sustentável para a região, com vistas à inclusão social de sua população.
Alan da Cunha, um dos organizadores do evento, responsável pela Coordenação Geral para o Desenvolvimento da Amazônia e do Nordeste, da Secretaria para Inclusão Social (Secis) do MCT, lembrou que a Amazônia, embora represente quase 60% do território brasileiro, responde apenas por 6% do PIB. ?A Secis tem um papel fundamental para que essa realidade comece a mudar, pois as diversas ações apoiadas pela Secretaria irão contribuir para a diminuição das desigualdades inter e intraregionais?, explicou.
Segundo a pesquisadora do MCT, Andréa Bicalho, da comissão organizadora do evento, o saldo final do Siamazon foi muito positivo, devido à qualidade das conferências e dos debates. "Além disso, foi uma oportunidade ímpar de se discutir a ciência e a tecnologia como ferramentas para a inclusão social das populações amazônicas", declarou Andréa, destacando que um dos resultados positivos do seminário foi o comprometimento da Agência de Desenvolvimento da Amazônia (ADA) em apoiar um projeto na Ilha do Marajó, da comunidade de produtores do óleo mineral de Andiroba.
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