O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e instituições de pesquisa dos Estados Unidos vão realizar observações de Sprites que ocorrem no território brasileiro. Sprites são emissões de luz avermelhadas, que ocorrem entre a ionosfera e o topo das nuvens de tempestades. Eles ocupam a região entre 30 km e 100 km de altitude, e podem chegar a 80 km de diâmetro. Devido à baixa intensidade luminosa (~100 kR - 10 MR) e duração em torno de dezenas a centésimos de segundo, a observação dos Sprites se torna extremamente difícil a olho nu. O Inpe é uma das unidades de pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia, sediada em São José dos Campos (SP).
Os Sprites foram descobertos em 1989 nos Estados Unidos, por pesquisadores que realizavam testes com câmaras sensíveis à baixa luminosidade. Atualmente, estão sendo realizadas diversas pesquisas para saber onde e com qual freqüência os Sprites ocorrem no mundo todo. Como afirmou a pesquisadora do Inpe, Dra. Fernanda São Sabbas, "o estudo ainda é recente, há menos de 100 pessoas trabalhando no assunto em todo o mundo. Por isso, não temos disponíveis muitos dados a respeito".
Estão planejadas duas campanhas de observação desses fenômenos no Brasil em 2005. A primeira, que tem como coordenadores os pesquisadores Osmar Pinto Junior, do Inpe, e Robert Holzworth, da Universidade de Washington, contará com a participação de colaboradores de ambas as instituições e também da Universidade do Estado de Utah. Essa campanha deve ocorrer no período entre fevereiro e abril de 2005. Serão realizadas observações de Sprites a partir do solo e do avião do INPE, medidas de campo elétrico, magnético e raios-X, com instrumentos a bordo de balões estratosféricos.
A segunda campanha, coordenada pela pesquisadora Fernanda São Sabbas e pelo pesquisador Dave Fritts, da Colorado Research Associates - CoRA, será realizada por colaboradores do Inpe, CoRA e de várias outras instituições de pesquisa americanas. No período entre setembro e novembro de 2005, serão realizadas observações de ondas de gravidade, Sprites e bolhas de plasma. Os diversos radares e ionosondas do Inpe proverão os dados de diagnóstico ionosférico. As observações serão coordenadas com passagens dos satélites CNOFS, a ser lançado em abril de 2005, e ROCSAT-2, em órbita desde maio deste ano, para complementar os dados de diagnóstico ionosférico e de Sprites, respectivamente.