Nesta semana teve início a Operação Cajuana, cujo objetivo é testar e qualificar um novo foguete de sondagem, o VSB-30, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço, do Centro Técnico Aeroespacial (CTA/IAE). O VSB-30 será lançado a partir do lançador de porte médio do Centro de Lançamento de Alcântara (MA), transportando uma carga útil tecnológica similar à utilizada no Programa Europeu de Microgravidade.
Esse novo veículo de sondagem surgiu da necessidade da agência espacial alemã (DLR) em substituir o foguete inglês Skylark 12, anteriormente utilizado nas pesquisas européias de microgravidade e que deixou de ser fabricado. O IAE, então, desenvolveu um propulsor para ser utilizado como booster no veículo de sondagem VS-30 com o objetivo de aumentar o seu desempenho.
O CTA/IAE é o responsável pelo fornecimento e integração dos propulsores do veículo e a agência espacial alemã tem a responsabilidade de fornecer a carga útil que, neste vôo, não será resgatada. Ela é separada do segundo estágio durante o vôo e deverá permanecer cerca de seis minutos acima da altitude de 110 km (uma das condições para se realizar testes em ambiente de microgravidade utilizando foguetes de sondagem).
Descrição do veículo
O VSB-30 é um foguete de sondagem, bi-estágio, não-guiado, estabilizado por empenas e lançado de trilho. O primeiro estágio consiste de um propulsor booster, denominado S31 e o segundo estágio é um propulsor S30, o mesmo utilizado nos foguetes de sondagem VS-30, VS-30/ORION e Sonda III. Os propulsores S30 e S31 são carregados com propelente sólido composite a base de polibutadieno hidroxilado e ambos possuem envelopes-motores confeccionados em aço SAE 4140.
O VSB-30 tem, ainda, as seguintes características marcantes: um jogo de três empenas em cada estágio dispostas, circunferencialmente, a 120 gruas; um Sistema de Indução de Rolamento (SIR), no módulo dianteiro do primeiro estágio, que utiliza três micro-propulsores a propelente sólido, idênticos aos utilizados no VLS-1 e designados por PIR (Propulsor Impulsor de Rolamento). Este sistema tem por função induzir o foguete ao rolamento, na decolagem, a fim de diminuir as áreas de dispersão de impacto dos motores e da carga útil.
A data do lançamento será definida tão logo sejam concluídos os trabalhos de integração do foguete e da carga útil e os testes previstos com os equipamentos e sistemas do Centro de Lançamento de Alcântara.
Participam da operação cerca de 77 técnicos e pesquisadores do Centro Técnico Aeroespacial, de São José dos Campos (SP), 15 da agência espacial alemã, com o apoio de militares e servidores civis do efetivo do Centro de Lançamento de Alcântara e outras organizações do Comando da Aeronáutica.