O projeto Desenvolvimento de Membranas para Dessulfatação da Água do Mar, do Laboratório de Membranas do Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), teve financiamento renovado por mais dois anos pela chamada pública MCT/Finep/CT-Petro 02/2003, que priorizou projetos em continuidade. A finalidade da pesquisa é obter tecnologia nacional na preparação de membranas de nanofiltração para remoção de sulfato da água do mar usada como água de injeção em poços de petróleo em alto-mar.
Esta tecnologia está sendo utilizada em vários poços da Petrobras e tem como objetivo prevenir a formação de incrustações por bário e estrôncio, que bloqueiam os dutos. Presentes na água existente no reservatório de petróleo, esses íons reagem com o sulfato da água do mar, formando os sulfatos de bário e estrôncio, de difícil remoção.
A renovação deve-se aos resultados promissores obtidos no projeto anterior. As membranas desenvolvidas no IEN ? instituição vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) ? apresentaram propriedades de seletividade e permeabilidade comparáveis aos das membranas comerciais importadas. Para a continuidade da pesquisa foram aprovados R$ 600 mil, a serem gastos na compra de equipamentos e material de consumo, na remuneração de bolsistas e na participação de membros da equipe em congressos. O projeto tem contrapartida da Petrobras, que financia 50% desse valor. Os recursos restantes virão da Finep.
No projeto inicial, realizado nos anos 2002/2003, as membranas de nanofiltração obtidas apresentaram ótimo desempenho nos testes realizados a baixa pressão, retendo o sulfato sem alterar a salinidade da água, segundo a responsável pela pesquisa, Celina Cândida Ribeiro Barbosa, doutora em Ciência e Tecnologia de Polímeros pelo Instituto de Macromoléculas/ UFRJ. "Agora vamos adequá-las para operar nos altos níveis de pressão normalmente utilizados nos processos de nanofiltração," informa.
Além disso, espera-se obter membranas mais resistentes à degradação química causada pelos bactericidas empregados tanto no tratamento da água do mar como no processo de limpeza das membranas. "Com isto aumentaria o tempo de duração das membranas, reduzindo custos", explica a engenheira química. A equipe conta ainda com os pesquisadores Cosme Tadeu Lima Luz, Elizabeth Eugenio de Mello Oliveira e Edna Teresa Ruas Bastos, a técnica Eliane Pavesi Barreto Soares e as bolsistas Kayse Santos Leitão e Ana Carla Lopes.