A professora Valéria (e) aproveita os conhecimentos adquiridos nas palestras do AEB Escola nas suas aulas de Física.
O ensino das ciências exatas para alunos dos ensinos fundamental e médio é uma tarefa complicada. As fórmulas e regras da matemática, física e química, sem uma aparente aplicação prática, levam muitos jovens ao desinteresse pelas disciplinas. Mas um projeto-piloto desenvolvido em uma escola pública de Taguatinga - cidade vizinha de Brasília - mostra que essa realidade pode ser alterada.
Em funcionamento desde o começo do ano no Centro Educacional nº 5, o projeto AEB Escola, uma iniciativa da Agência Espacial Brasileira (AEB/MCT), já produziu resultados concretos na comunidade. A professora de física Valéria Cristina de Lima é uma das pessoas que confirmam essas mudanças. Ela conta que, além de servir como base para o crescimento intelectual, as palestras do AEB Escola oferecem subsídios para experimentos e práticas que podem ser aplicadas em sala de aula e que despertam o interesse dos alunos.
"Eu assisti a todas as palestras, não perdi uma, e com isso aumentei meus conhecimentos. Um mundo novo, que eu não conhecia, se abriu para mim. Isso refletiu nas minhas aulas, que ficaram mais ricas, interessantes, com mais participação dos alunos. Esse contato com o espaço alimentou um lado investigativo, questionador neles, e alguns até mesmo começaram a tirar notas melhores", conta Valéria, entusiasmada. Ela diz ainda que de tão empolgada com as palestras, conseguiu passar sua motivação para os estudantes: "Tenho aluno que veio me procurar para dizer que quer ser físico".
O professor Petrônio Noronha de Souza, doutor em engenharia e responsável pelo programa da Estação Espacial Internacional no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE/MCT), foi o palestrante dessa semana no projeto, com o tema Satélites: como funcionam e para que servem. Ele vê diversas possibilidades de interação e crescimento na iniciativa do AEB Escola.
"Programas como o AEB Escola criam vínculos, possibilitam aos pesquisadores do programa espacial entrar em contato, em intercâmbio com a sociedade. Esse contato é cheio de virtudes, pois ao mesmo tempo que nos permite passar parte do conhecimento adquirido em anos de estudos, também nos coloca em contato com a sociedade e possibilita o contato com seus anseios, suas dúvidas. Fico imensamente satisfeito de participar de uma iniciativa como essa", diz o cientista.
Ao responder às dúvidas sobre o espaço e seus projetos de exploração ? as palestras do AEB Escola já trataram de temas como foguetes, imagens de satélite, satélites e astronomia, entre outros assuntos ligados ao programa espacial brasileiro ?, as palestras despertam o interesse de todos os participantes. Nos intervalos das apresentações, é possível observar professores e outros espectadores, interessados no tema, buscar informações com os palestrantes sobre como se aprofundar no assunto e até mesmo voltar aos estudos, para uma pós-graduação no tema.
Já o interesse dos alunos se manifesta principalmente nas atividades extra-classe. O professor do Instituto de Física da Universidade de Brasília (UnB) e coordenador do AEB Escola, José Leonardo Ferreira, explica que o programa foi responsável por diversas oficinas multidisciplinares, que proporcionaram aos alunos construir com materiais simples e cotidianos um telescópio, um foguete ? com propulsão de água e ar comprimido ? e diversas maquetes de satélites.
O programa-piloto do AEB Escola será realizado até o fim do ano no Centro Educacional nº 5, em Taguatinga (DF). Mas, já em 2005, a expectativa é expandir a iniciativa para todo o País.