A cooperação entre o Brasil e a China no Programa CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres) deve passar por discussão em outubro, quando uma delegação brasileira chefiada pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, e com participação do presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB/MCT), Sérgio Gaudenzi, visita o país.
Na pauta do encontro estão o protocolo que permitirá a venda de imagens do CBERS-2 (lançado em 2003) e o desenvolvimento do CBERS-2B. As informações foram parte da reunião do Conselho Superior da AEB nesta quarta-feira (15).
Segundo o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), Luiz Miranda, a inserção do Brasil na distribuição internacional das imagens representará ?um marco histórico? para o país. O CBERS-2B, em estudo, seria um dos passos para manter o serviço de comercialização e cobrir o hiato entre o término da vida útil do CBERS-2 (previsto para 2005) e o lançamento do CBERS-3 (previsto para 2007/8).
Além do programa CBERS, foi apresentado no Conselho o atual estágio de preparação da Conferência Nacional do Programa Espacial, parte da revisão do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), marcada para a segunda quinzena de novembro em Brasília; os entendimentos de uma possível cooperação com a Rússia, e a parceria com a França para o lançamento de balões estratosféricos.
Na reunião, o presidente da AEB também empossou os representantes do Comando da Marinha, Comando do Exército, Ministério da Fazenda e Ministério da Educação. O Conselho conta com a participação dos órgãos governamentais relacionados à questão espacial, bem como membros do setor industrial e academia.
Centro de Lançamento de Alcântara
No que tange ao Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), Gaudenzi comunicou ao Conselho os estudos em conjunto com o Ministério da Defesa e o Comando da Aeronáutica para tornar o CLA um pólo indutor do desenvolvimento local e da divulgação científica.
A idéia é a de que a área do Centro possa abrigar museus, planetários, campus universitário, reservas ecológicas e outros equipamentos, além das próprias comunidades residentes na região, evitando assim seu deslocamento, mas convivendo em harmonia com os sítios de lançamento, como acontece com o Kennedy Space Center.
?Evidentemente, seriam resguardadas áreas e limites de segurança para a população e visitantes?, afirma o presidente. ?Como parte do centro espacial teríamos a base de Alcântara, que além das tarefas de segurança de vôo e controle dos lançamentos, seria também o sítio brasileiro de lançamento do VLS e outros lançadores que seguramente se seguirão?, acrescenta.
?Estamos trabalhando em absoluto acordo com o Ministério da Defesa e com o Comando da Aeronáutica para cumprir a missão de fazer de Alcântara verdadeiramente um centro espacial?.