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Alternativas ecológicas para tratar efluentes industriais
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A estudante utilizou palha de côco em seu trabalho, orientado pela pesquisadora Mitiko Yamaura
08/09/2004 - 17:23

Buscar soluções para problemas criados pela geração de resíduos industriais é uma das preocupações de estudos e pesquisas em universidades e instituições de pesquisa em todo o mundo. Quando essas soluções envolvem a utilização de materiais oferecidos pela natureza de forma abundante, melhor ainda.

Pesquisas desenvolvidas no Centro de Química e Meio Ambiente do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) - instituição vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) - aproveitam materiais como bagaço de cana de açúcar, palha de côco e derivados do exoesqueleto de crustáceos como absorvedores de poluentes industriais. "Tentamos aproveitar o que a natureza oferece para resolver problemas gerados pelo homem", explica a doutora Mitiko Yamaura.

O trabalho, premiado nessa linha de pesquisa, se originou de um projeto de iniciação científica. A idéia foi aproveitar a palha proveniente do côco verde nos processos de tratamento de efluentes. Foram feitos os primeiros testes e os resultados mostraram que o material poderia ser empregado para remover urânio. A estagiária Raquel Almeida Monteiro, aluna das Faculdades Oswaldo Cruz, em São Paulo, desenvolveu o trabalho, com apoio do CNPq, e ficou com o primeiro lugar no 3º Congresso Nacional de Iniciação Científica, realizado em São Paulo em novembro do ano passado.

Do côco verde foi retirada a casca dura e utilizada somente a camada interna, que foi triturada, lavada com água e colocada para secar à temperatura ambiente. Pequenas quantidades dessa palha de côco foram colocadas em contato com soluções de diferentes pH contendo urânio. As soluções foram agitadas, e no final do processo, a quantidade de urânio restante foi medida. O material se mostrou adequado, mas os estudos continuam, pois é preciso otimizar o processo de extração. A condição ideal seria de um material que retivesse 100% do urânio. O estudo está sendo desenvolvido há aproximadamente dois anos. A estudante ficou motivada com a premiação e pretende seguir atuando na área ambiental.

A pesquisadora orienta também uma tese de doutorado que utiliza a quitosana proveniente da casca de crustáceos como o camarão, a lagosta e o siri. O trabalho associa a quitosana a nanopartículas que possuem propriedades superparamagnéticas. Ao serem colocados em contato com um campo magnético, os poluentes são removidos do meio aquoso. Sem esse campo, as partículas não estão magnetizadas e, portanto, não impactam o meio ambiente.

Outros exemplos de trabalho que seguem a mesma linha de pesquisa referem-se à utilização do bagaço de cana-de-açúcar e da serragem. As pesquisas já geraram três pedidos de patentes nesses últimos dois anos.

O mestrado de Yamaura foi desenvolvido em química analítica. Investigava métodos de análise de resíduos gerados no processamento de tório. Seu doutoramento ocorreu na área de reprocessamento e pretendia separar os radionuclídeos (elementos radioativos) do rejeito nuclear.

A utilização da biomassa para tratar efluentes industriais é um campo com grandes perspectivas. Os materiais ambientalmente corretos também podem ser incorporados a outros para melhorar suas propriedades mecânicas, como no caso dos polímeros. As pesquisas são realizadas no âmbito acadêmico, mas mostram viabilidade técnica e econômica, afirma a pesquisadora.

Há dois anos, outro bolsista de iniciação científica orientado por Yamaura foi premiado pelo Conselho Regional de Química da quarta região, na linha de pesquisa de tratamento de efluentes e materiais radioativos.</

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