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31/08/2004 - 18:00
O livro Educação Patrimonial na Área do Sossego ? Canaã dos Carajás (PA) e a exposição Trocas Culturais ? vidas, sonhos e memórias, lançado e inaugurada, respectivamente, pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), instituição vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), em parceria com a Companhia Vale do Rio Doce e apoio da Fundação Instituto para o Desenvolvimento da Amazônia (Fidesa), no último sábado (28). O evento aconteceu na Casa da Cultura do município de Canaã dos Carajás, na região sudeste do estado do Pará.
O projeto de educação patrimonial desenvolvido pelo Museu Goeldi na cidade, iniciado em 2002, sob a coordenação da educadora Janice Lima, faz um trabalho de resgate da história do município Canaã dos Carajás, tendo como ponto de partida o material arqueológico encontrado na região, resultante do projeto de resgate de patrimônio arqueológico, coordenado pela pesquisadora do MPEG, Edithe Pereira. Rico em cobre e ouro, o município apresenta um verdadeiro amálgama cultural, uma diversidade de hábitos e de histórias de vida.
Canaã dos Carajás situa-se na região sudeste do estado do Pará, onde foi implantado pelo governo federal, em 1982, o projeto Carajás desenvolvido pela Companhia Vale do Rio Doce, que assentou no local cerca de 1.500 famílias oriundas, principalmente, dos estados do Maranhão, Goiás e Tocantins. Na época, a área pertencia ao município de Marabá. Com o desmembramento de Marabá, a área passou a pertencer ao município de Parauapebas e só veio a emancipar-se em 1994.
Livro Educação Patrimonial na Área do Sossego ? Canaã dos Carajás (PA) é um livro que registra a dinâmica cultural do município paraense, onde a história da cidade é contada pelos seus pioneiros, e onde existem informações sobre os sítios arqueológicos existentes na região. Os autores descrevem os processos de educação patrimonial que ali vêm sendo desenvolvidos.
O projeto foi elaborado para construir um caminho calcado na realidade concreta dos moradores locais. Todo o processo foi realizado a partir da relação entre o conhecimento sobre a cultura dos povos que viveram anteriormente na região, por meio da cultura material encontrada nos sítios arqueológicos, e a cultura dos atuais moradores. Para estabelecer essa relação, o projeto vem articulando processos da educação patrimonial, da educação artística e da estética do cotidiano. Um espaço diagnóstico permanente foi estabelecido, permitindo que os participantes do projeto passassem de simples receptores dos conteúdos abordados a atores sociais, capazes de detectar os problemas culturais e buscar meios para solucioná-los, evidenciando o amadurecimento coletivo.
Exposição A exposição Trocas Culturais ? vidas, sonhos e memórias apresenta a produção de desenho, pintura e cerâmica realizada nas oficinas do primeiro ano do projeto (2002 ? 2003). O programa foi organizado em módulos, com conteúdos como identidade e diversidade culturais, interculturalidade, história da arte, processos de ocupação do espaço geográfico/histórico, vida social, econômica e política, fundamentos da arqueologia e Brasil pré-colonial. Esses conteúdos foram tratados nas oficinas de percepção cultural, desenho, pintura e cerâmica, dentre outras, num processo interdisciplinar, envolvendo profissionais de diversas áreas. A mostra apresenta também os registros fotográficos de todo o processo.
Participam do projeto 211 moradores de Canaã dos Carajás, sendo 63 adultos e 148 crianças e adolescentes das áreas urbana, aldeia Canaí, Vila Bom Jesus, Vila Planalto e Vila Ouro Verde. Além desses atores sociais, outros moradores locais participam do projeto como interlocutores da pesquisa de percepção cultural. São 13 famílias de moradores antigos, que com suas histórias de vida vêm contribuindo para a reconstituição da história da cidade.
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