O público pode conferir no estande do Instituto Mamirauá o artesanato da população ribeirinha.
Sementes e cordas são transformadas em colares, cipós são tramados e viram cestarias para decoração. As peças expostas no estande do Instituto Mamirauá ? unidade de pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) - na 12ª Expociência, em Cuiabá (MT), atraem a curiosidade dos visitantes. ?Eles querem saber a origem, quem faz, qual é a matéria-prima e sempre acabam levando alguma coisa para casa?, conta uma das monitoras de divulgação do Mamirauá, Patrícia Macedo.
Tudo é produzido em comunidades riberirinhas da Reserva Mamirauá. A instituição tem sede administrativa na Universidade Federal do Pará, e a reserva fica na confluência dos rios Solimões e Japurá, no estado do Amazonas, numa área de um milhão de hectares, o que corresponde aproximadamente à metade do estado de Sergipe. São cerca de 10 comunidades beneficiadas com a comercialização dos produtos.
Patrícia explica que a produção de materiais artesanais foi uma alternativa de renda para as famílias que ficam em uma situação muito difícil no período das cheias. ?A partir do programa de artesanato do Instituto, se busca aprimorar o trabalho, sempre com a preocupação de preservar o meio ambiente com manejo orientado?, explica Patrícia. Segundo a monitora, os materiais usados são reutilizados da natureza. As cestarias são confeccionadas com um tipo de cipó, e a coloração é feita com o uso de sementes, num processo muito trabalhoso.
Antigamente, nas comunidades, o sistema consistia em os homens saírem para pescar e plantar, enquanto as mulheres ficavam trabalhando com artesanato em casa. Hoje, com o sucesso da produção, eles se dividem na fabricação de peças em madeira, cerâmica, cestaria e a mais recente novidade, as bijóias (colares de corda e sementes). ?Hoje as famílias se preocupam com o resultado do trabalho. Eles querem saber se as pessoas estão gostando e o que podem melhorar no acabamento das peças?, revela a monitora.