O desejo de melhorar o nível de qualidade de vida pode estar influenciando no novo mapa que se desenha sobre a concentração de pesquisadores em determinadas regiões do País. No painel Mercado de trabalho para jovens doutores, apresentado na 56ª reunião anual da SBPC, em Cuiabá (MT), o secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães, informou que as regiões Nordeste e Sul estão absorvendo número expressivo de pesquisadores de outras partes do País.
Guimarães coordenou uma pesquisa, abrangendo o período compreendido entre 1993 e 1999, em que procurava estabelecer a verdadeira dimensão da tão propalada "evasão de cérebros do País", ou seja, a migração de pesquisadores brasileiros a partir do seu centro de origem. Dos cerca de 3.300 pesquisadores que migraram nesse período, 2.300 apenas mudaram de estado, portanto sem sair do País, e menos de mil foram efetivamente para o exterior.
Paraná e Santa Catarina, além da Bahia, foram os estados que mais receberam pesquisadores de outras regiões. Segundo Guimarães, o fato não está associado apenas à procura por melhor qualidade de vida, mas também porque nesses estados vem ocorrendo um crescimento expressivo de núcleos regionais de atividades científico-tecnológicas.
São Paulo, tradicional reduto de pesquisadores altamente qualificados, continua como o maior produtor de conhecimento e com o maior número de pesquisadores, mas estados como o Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul tiveram saldo negativo no período estudado. "Não basta, agora, ter apenas tradição científica, é preciso oferecer algo mais, nesse caso, qualidade de vida", disse Reinaldo Guimarães.
O último estudo, e talvez o único, sobre a questão da migração de pesquisadores no Brasil remonta à década de 1970, levada a cabo por Simon Schartzmann. Essa falta de informações mais recentes é que levou Guimarães a efetuar a pesquisa. Segundo ele, o Brasil naquela década era importador de mão-de-obra, qualificada ou não, mas na década seguinte e posteriores, talvez em função dos noticiários que davam conta das levas de brasileiros que tentavam partir para o exterior, principalmente para os Estados Unidos, criou-se a imagem de uma grande diáspora também no meio científico.
"A pesquisa mostrou que, pelo menos por enquanto, a questão ainda não é problema, mas poderá vir a ser", completou.