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Pesquisadoras avaliam políticas de Ciência & Tecnologia no Brasil
23/07/2004 - 07:47

A Sociedade Brasileira de Sociologia realizou nesta quarta-feira (21), durante a 56ª Reunião Anual da SBPC, um simpósio sobre conhecimento e políticas de Ciência & Tecnologia no Brasil. As principais conclusões apontam para uma significativa redução dos recursos na década de 1990 e uma crescente concentração das pesquisas na área das ciências exatas e na região sudeste do País.

Intitulada Políticas de C&T no Brasil: Disparidades Regionais e Sustentabilidade, pesquisa da professora Maíra Baumgarten, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, conclui que houve uma forte diminuição dos investimentos na área, que passou por uma reestruturação seletiva na década porque os recursos eram decrescentes e escassos para as universidades públicas. Esse recursos acabavam indo para áreas, instituições e equipes já estruturadas, aumentando a distância científica entre as diferentes regiões brasileiras.

Ainda segundo ela, houve uma priorização do mercado em função de um discurso que pregava uma avaliação quantitativa, e não qualitativa, da produção. Essa estrutura acabava sendo cada vez mais privatista e produtivista, também alijando as áreas das ciências sociais e humanas.

"Os grupos de pesquisa apoiam a si mesmo dentro da comunidade científica, perpetuando o modelo existente. O Estado encolheu na década pesquisada e passou parte de suas atribuições para as universidades privadas e organizações não-governantais (ONGs), fora as distorções causadas por modelos de fomento baseados nos países desenvolvidos e pouco adaptados ao Brasil", diz Baumgarten.

Ela afirma que para o Brasil ter um desenvolvimento sustentável é preciso formular uma nova concepção de ciência para o País, calcada na solidariedade e na dignidade humana. Uma política de sustentabilidade solidária com a biosfera e as futuras gerações.

Em outra pesquisa, a professora Fernanda Sobral, da Universidade de Brasília (UnB), buscou convergências entre as ações de fomento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), unidade de fomento à pesquisa subordinada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), e as prioridades contidas no Plano Plurianual (PPA) entre os anos de 2001 e 2003. Foram avaliadas as temáticas de 6.583 trabalhos de iniciação científica, dissertações, teses e produtividade em pesquisa.

Foi constatada na demanda expontânea que as áreas prioritárias dos trabalhos no período analisado foram saúde, educação, informática, meio ambiente e agricultura, especificamente o agronegócio. Por terem menos cobranças em termos de resultados práticos ou necessidade de citações, foi constatado que os trabalhos de iniciação científica são mais inovadores nas temáticas.

"Conhecimento significa riqueza e desenvolvimento para as nações, significa produtos com maior valor agregado. Implantar e fortalecer sistemas de ensino e pesquisa é garantir o futuro do país", diz Sobral. Para ela, é preciso articular melhor o mercado científico com o mercado econômico e o social. Além disso, cita a necessidade de uma maior participação das ciências sociais no processo de desenvolvimento do País, um maior número de bases de dados e a disseminação das informações por meio da democratização do acesso aos trabalhos em C&T.

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