Os conservantes químicos foram considerados agentes cancerígenos pelos americanos, motivo de sua proibição como técnica de conservação para muitos alimentos. Vários exportadores brasileiros de frutas, como um grupo do Espírito Santo, procuraram o Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear do Ministério da Ciência e Tecnologia (CDTN/MCT) para testar a irradiação gama em seus produtos. Segundo Fausto Carvalho Pinto, engenheiro especializado em tecnologia nuclear do CDTN/MCT, "os resultados têm sido bastante satisfatórios".
A irradiação por raios gama tem despontado como uma técnica emergente para a conservação de alimentos. Essa é uma opção concreta que vem sendo cogitada por produtores de frutas que exportam para os Estados Unidos, país que deu prazo para a comercialização em seu território de alimentos quimicamente conservados.
Embora a conservação química dos alimentos esteja em baixa nos EUA, esta é até agora a maneira mais aceita pelo mercado brasileiro. Fausto Pinto afirmou que só encontra uma explicação para a irradiação de alimentos ser ainda tão temida no país: "Atribuo isso ao nosso imaginário que, necessariamente, associa qualquer tecnologia nuclear à bomba atômica ou aos acidentes nas usinas".
A técnica já vem sendo usada no Brasil para a conservação de alguns produtos, como as especiarias, fortemente atacadas pelos fungos. Tem sido usada também como técnica de esterilização pela indústria farmacêutica e de produtos de higiene. "A Johnson & Johnson, por exemplo, esteriliza fraldas, seringas, agulhas e outros produtos, utilizando a técnica de irradiação por raios gama", informou o engenheiro.
Na agricultura, pesquisas demonstraram que a técnica nuclear também apresenta resultados altamente satisfatórios nas plantações de soja, especialmente em solo de turfa (matéria esponjosa, constituída de restos vegetais em variados graus de decomposição, e que se forma dentro da água, em lugares pantanosos, onde é escasso o oxigênio). A irradiação é aplicada nas sementeiras. As sementes irradiadas, uma vez plantadas, são muito mais resistentes às pragas do que as que não sofreram qualquer processo de irradiação.
"Em meio ao debate sobre os transgênicos e porque tem apresentado vários resultados satisfatórios, o debate sobre a técnica de irradiação por raio gama está voltando a pegar fogo", disse o engenheiro do CDTN/MCT.