Uma tecnologia que está sendo desenvolvida pelo Instituto de Engenharia Nuclear do Ministério da Ciência e Tecnologia (IEN/MCT) e faz a análise da integridade dos materiais sem qualquer dano à sua estrutura, chamou a atenção da Petrobrás. Especialistas da empresa acreditam que o uso da novidade poderá auxiliará na prevenção de acidentes ambientais.
A empresa, através do Programa Tecnológico de Dutos (Produt), decidiu financiar uma pesquisa aplicada junto ao IEN/MCT, que custará cerca de R$ 1 milhão, com o objetivo de detectar as tensões que os dutos enterrados no solo estão sujeitos.
O pesquisador Marcelo Bittencourt, que começou a desenvolver a técnica no Brasil quando ainda fazia doutorado, explicou que o rompimento de um duto, muitas vezes, pode ser ocasionado por movimentações geológicas. O desenvolvimento da pesquisa permitirá que, através da mensuração da velocidade de propagação das ondas ultra-sônicas, seja dado um diagnóstico das tensões que um determinado movimento do solo ocasionou em certo trecho de duto.
"De posse desse diagnóstico, saberemos avaliar qual é a intervenção mais adequada e mais racional ao caso, se uma obra de engenharia para aliviar as tensões, ou se uma troca de um trecho de duto. O importante é chegarmos à solução que evite o acidente", explicou o pesquisador.
A pesquisa, segundo ele, ainda se encontra na primeira fase de execução que consiste no levantamento de dados, em laboratório. Amostras variadas de dutos novos e usados da Petrobrás estão sendo avaliadas e mais, está se verificando qual o comportamento que os materiais apresentam na forma de tubo. A segunda fase da pesquisa, prevista para começar em setembro, é a de campo.
A tecnologia de ultra-som que está sendo desenvolvida pelo IEN/MCT é razoavelmente recente no mundo. As bases teóricas foram consolidadas em 1953, mas só com o aperfeiçoamento dos equipamentos eletrônicos e digitais (décadas de 80/90) é que o desenvolvimento da técnica tornou-se efetivamente possível e viável. "É porque a mensuração tem que ser muito precisa. A nossa unidade de medida é o nanosegundo ", disse Bittencourt.
Aqui no Brasil, o aprimoramento da técnica contou com o apoio da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que financiou laboratório, desenvolvimento de software específico para a pesquisa e equipamentos. É que a tecnologia de ultra-som pode ser útil a várias áreas da Engenharia, inclusive a nuclear.